TRAQUEITE BACTERIANA

A traqueite bacteriana (lambem chamada de traqueíte membranosa ou crupe pseudomembranoso ou laringotraqueobronquite bacteriana ou laringite membranosa) é uma infecção bacteriana aguda da região subglótica da via aérea superior que pode provocar uma obstrução das vias aéreas com risco de óbito.

Foi descrita pela primeira vez em 1945 por Chevalier Jackson e consiste de fato numa infeção bacteriana exsudativa dos tecidos moles da laringe e traqueia.

Desde a introdução da vacina contra o Haemophilus influenza tipo b, o número de casos de epiglotite diminuiu drasticamente na população pediátrica e desde então a traqueite bacteriana tem ganho relevância como infeção das vias aéreas superiores potencialmente fatais.

Apesar de ser uma entidade rara, está entre as emergências pediátricas da via aérea que mais frequentemente requerem admissão nos cuidados intensivos.

A traqueíte bacteriana é mais frequentemente provocada pelo Staphylococcus aureus e pelo Streptococcus pyogenes.

O diagnóstico é baseado na evidência de:

  1. doença bacteriana nas vias aéreas superiores
  2. febre alta
  3. secreções purulentas das vias aéreas
  4. ausência dos achados clássicos de epiglotite

Na maioria dos casos, os sintomas prodrómicos, sugestivos de infeção das vias aéreas superiores, estão presentes cerca de três dias antes, após os quais se desenvolve estridor e dispneia (forma secundária).

Os sintomas mais comuns de apresentação são tosse (50-100%) e estridor (65-95%), seguido de disfonia, febre e taquipneia.

A odinofagia e sialorreia estão habitualmente ausentes.

Porém, uma minoria dos casos surge com início fulminante da sintomatologia, com progressão para dificuldade respiratória aguda grave em menos de 24 horas (forma primária).

O estridor grave com fraca resposta à terapêutica convencional ou a rápida deterioração clínica devem levantar a suspeita de traqueíte bacteriana.

Sobre a traqueite precisamos saber que:

  1. pode ocorrer em qualquer idade;
  2. pode ocorrer em qualquer estação;
  3. não existem diferenças cm relação ao sexo na incidência ou na gravidade;
  4. existe controvérsia quanto ao fato de que a traqueíte bacteriana existe sozinha, ou se ela é uma complicação bacteriana de uma infecção respiratória virai preexistente (como o crupe);
  5. esta doença com risco para a vida é atualmente mais comum do que a epiglotite

Em termos epidemiológicos, verifica-se, porém, uma maior incidência até aos seis anos de idade, com um ligeiro predomínio no sexo masculino (1,3:1).

HistÓrico Clinico

Um histórico de vários dias de sintomas virais das vias aéreas superiores pode ser encontrado, como febre, tosse e estridor, semelhante ao crupe. Isto pode ser seguido por um rápido início de febre alta, desconforto respiratório e uma aparência de toxemia.

Geralmente, não há sialorréia.

Frequentemente, os pacientes têm outras infecções concomitantes, sendo a pneumonia a mais comum.

DIFERENCIAL

Atualmente existem trabalhos que defendem que a resposta à adrenalina nebulizada é um fator discriminatório claro entre LTB víral e os seus diagnósticos diferenciais.

Cabe a dizer, porém, que esse critério caiu, já que outros estudos apontaram uma resposta à adrenalina em aproximadamente 50% dos doentes com traqueite bacteriana embora parcial havendo melhoria dos sinais de dificuldade respiratória.

Assim, a resposta positiva à adrenalina não nos permite excluir traqueite bacteriana e um alto nível de suspeição deve ser mantido.

FISIOPATOLOGIA

 traqueíte bacteriana está associada ao edema da mucosa no nível da cartilagem cricóidica que é complicado peia grande quantidade de secreção purulenta e pelo aumento de espessura da mesma.

A criança pode descompensar rapidamente devido à obstrução das vias aéreas pela membrana purulenta que tenha se soltado.

EXAME FISICO

  1. Estridor inspiratório com ou sem estridor expiratório que nada é mais que um sinal audível produzido pelo fluxo turbulento de ar em um segmento estreitado do trato respiratório. De acordo com o efeito de Venturi, o fluxo aéreo aumenta na porção estreita de um tubo.

      Este aumento da velocidade do fluxo provoca uma pressão negativa sobre as paredes da via aérea (princípio de Bernoulli), o que provavelmente explica a origem do sinal clínico e a tendência ao colapso da via aérea nesta situação.
      Em crianças, o estridor é o sinal mais importante de obstrução da via aérea e, por vezes, requer diagnóstico preciso e tratamento imediatos. O grau de desconforto respiratório — indicado por um esforço ventilatório aumentado, taquipnéia, retração supraclavicular e/ou intercostal e cianose — determina a urgência da avaliação diagnostica e o início das manobras terapêuticas.

  2. Tosse de cachorro ou estridente se parece mesmo com o latido de um cachorro, ou às vezes com o som emitido por uma foca. Ela surge na maioria das vezes no meio da noite. Na maioria dos casos, no entanto, a doença é menos grave do que parece pelo som da tosse.
  3. Rouquidão é causada por processos que afetam a estrutura ou a função da laringe. A qualidade do som emitido por um indivíduo, isto é, a sua regularidade, sua flexibilidade e mobilidade, depende principalmente das cordas vocais. A anomalia das cordas vocais resulta em rouquidão.
  4. Graus variáveis de desconforto respiratório:
      • tiragens
      • dispneia
      • batimento de asa nasal
      • cianose
      • Inflamação da orofaringe (mínima)
  5. Normalmente sem sialorreia
  6. Piora ou ocorrência abrupta de estridor ou desconforto respiratório

INTERVENÇÃO

  1. Utilizar equipamento de proteção individual.
  2. Realizar urna avaliação inicial e obter um histórico clínico direcionado
  3. Avaliar a criança em urna posição confortável.
  4. Evitar agitar a criança. Mantenha a criança tão calma e tão confortável quanto possível, geralmente nos braços do cuidador.
  5. Instalar a oximetria de pulso.
  6. Se a ventilação for adequada e o paciente exibir sinais de desconforto respiratório, administre oxigênio suplementar de uma maneira que não agite a criança.
    Mantenha uma saturação de oxigénio acima de 94%. Se os sinais de insuficiência respiratória ou parada respiratória estiverem presentes, inicie ventilação assistida usando um dispositivo bolsa-válvula-máscara com oxigênio suplementar.
  7. Se necessária, a entubação traqueal deverá ser realizada utilizando uma cânula traqueal 0,5 a 1 mm menor do que o calculado para a idade por causa do edema e da inflamação da traqueia no nível subglótico. A aspiração frequente é geralmente necessária para manter a permeabilidade da cânula.
  8. Após a via aérea estiver assegurada, estabelecer um acesso IV e começar o tratamento com antibiótico.

 

 

BIBLIOGRAFIA:

"Quando a traqueíte bacteriana se complica..." artigo de Joana Teixeira ; Ângela Pereira ; Ângela Oliveira ; Filipa Moreira; Manuela Costa Alves ; Luís Dias; Augusta Gonçalves ; Carla Moreira, publicado na "NASCER E CRESCER revista de pediatria do centro hospitalar do porto ano 2015, vol XXIV, n.º 4 pp 166-170, disponível no endereço eletrônico http://www.scielo.mec.pt/pdf/nas/v24n4/v24n4a05.pdf

PALS - Suporte avançado de Vida em Pediatria - Emergências Pediatricas, GUIA DE ESTUDO III-a edição Editura Mosby/Elsevier - Barbara Aelhert, American Safety Health Institute.

Segurança de nebulização com 3 a 5 ml de adrenalina (1:1000) em crianças: uma revisão baseada em evidência (The safety of nebulization with 3 to 5 ml of adrenaline (1:1000) in children: an evidence based review Linjie Zhang, Lucas Soares Sanguebsche); Jornal de Pediatria - Vol. 81, Nº3, 2005 pp 193-197. Disponível no endereço eletrônico http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n3/v81n3a04 acessado 08 de janeiro de 2017;

Laringite em crianças - BabyCenter Brasil Aprovado pelo Conselho Médico do BabyCenter Brasil, material disponível no endereço eletrónico http://brasil.babycenter.com/a3400374/laringite-em-crian%C3%A7as#ixzz4VAXDnNwO