A ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR



A questão faz parte da tematica da alimentação infantil, e, como trata-se do termo "complementar", é obvio que estamos falando de uma alimentação que "completa" alguma coisa. Essa "coisa" refere-se á alimentação natural, precisamente, ao leite natural. Ou, no pior caso, á formula infantil de substituição...

Então, como pediatras, sabemos que o leite é - com algumas exceções - sacro e santo. Nos somos amigos do peito. Não podemos permitir a migração para a alimentação artificial, a não ser que é justificado mesmo. E, antes de 6 meses, nada de outros alimentos além de peito e, em casos fortuitos - formulas.

A conclusão é simples - falando de "alimentação complementar" pensamos imediatamente em "acíma de 6 meses".

A alimentação durante o primeiro ano de vida é de grande importância devido ao crescimento e ao desenvolvimento acelerados que aumentam as necessidades nutricionais nessa fase.

Indique a definição correta da alimentação complementar:

  1. a alimentação para substituir o leite materno, provocando o desmame
  2. a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos a criança, em adição ao leite materno
  3. a alimentação suplimentar oferecida para o lactente que não ganha peso adequadamente
  4. alimentos consumidos pelos demais membros da família, modificados em sua consistência
  5. alimentos que, pelo alto conteudo de vitaminas antioxidantes, são oferecidas em caso de desvitaminoses comprovadas

Vamos pegar cada uma alternativa acíma:

Como que é, desmame??? De jeito nenhum! Nenhuma alimentação nunca substituirá o leite materno (A falsa). E não há necessidade de oferecer "alimentos suplimentares" para aqueles que não ganham peso (C falsa). Na verdade, as expressões "alimentos de desmame" e "alimentação suplementar" não são recomendadas como sinônimos de alimentação complementar, pois sua utilização é inadequada e pode dar a impressão de que os alimentos são introduzidos para substituir o leite materno, provocando o desmame em vez de complementar a amamentação.

Os alimentos complementares podem ser preparados especialmente para a criança, neste caso, são chamadas de alimentos de transição e quando são alimentos que a familia está oferecendo, adaptando as formas, chamam-se de alimentos familiares modificados. Fazem, sim, parte da categoria de alimentos complementares, mas a definição é bem mais complexa.

Alimentação complementar, na verdade, é definida como a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, em adição ao leite materno, sendo ideal que se inicie aos seis meses de vida. Neste sentido, um alimento complementar é qualquer alimento dado durante o período de aimentação complementar e que não seja leite materno (variante B)

Indique a definição correta da alimentação complementar:

  1. a alimentação para substituir o leite materno, provocando o desmame
  2. a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos á criança, em adição ao leite materno
  3. a alimentação suplimentar oferecida para o lactente que não ganha peso adequadamente
  4. alimentos consumidos pelos demais membros da família, modificados em sua consistência
  5. alimentos que, pelo alto conteudo de vitaminas antioxidantes, são oferecidas em caso de desvitaminoses comprovadas

Chegando a idade de 6 meses, teoreticamente, o leite materno começa a ser insuficiente para o lactente, mesmo que a frequência das mamadas cresça.

E justamente agora que a criança, sem abandonar a boa pratica do aleitamento materno, comece a receber, gradativamente, alimentos cuja finalidade é garantir a cobertura energetica e anabolica necessária.

Antes de introduzir um alimento complementar precisamos garantir que o mesmo:

TUDO COMEÇA COM O LEITE MATERNO

Mais uma vez - nos, os pediatras, somos os amigos do peito. Antes de qualquer outro desvio da linha precisamos brigar - e brigar mesmo - para que o RN e o lactente receba o melhor alimento do mundo que nada mais é que o leite materno.

O bebê deve mamar em livre demanda, ou seja, todas as vezes que quiser, sem horários fixos ou determinados. Depois de ele esvaziar o primeiro peito, a mãe deve oferecer-lhe o segundo; o completo esvaziamento da mama assegura a manutenção do estímulo de produção do leite. O tempo de esvaziamento da mama é variável para cada criança; algumas conseguem fazê-lo em poucos minutos e outras em até 30 minutos.

Para retirar o bebê do peito, recomenda-se introduzir gentilmente o dedo mínimo no canto da sua boca; ele largará o peito sem tracionar o mamilo. Após a mamada, colocá-lo para arrotar.

Há contraindicações absolutas da alimentação materna? Há, sim, e há bastante contraindicações relativas, também. Tem momentos em qual não da mesmo (infecção materna com HIV, HTLV). E se não vale a pena o risco das contraindicações absolutas, pelo menos naquelas relativas precisa, sim, ir até o ponto mais longe até decidir utilizar outra coisa.

Os maus habitos, a comodidade e as vezes a superficialitate fez que, nas ultimas décadas, varias alternativas de amamentação possam surgir, acarretando, junto com as novas "esquemas" inventadas por pais e, lamentavelmente, pelos pediatras sem motivação, muita confusão quanto os termos utilizados.

Recomenda-se aleitamento materno ate 2 anos de idade, com aleitamento exclusivo ao seio por período não inferior a seis meses

A partir dessa idade (6 meses) é necessária a introdução de alimentos complementares.

 

Na tabela abaixo são definidos os tipo de aleitamento conforme a OMS, adotadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Porém, a correspondência está bagunçada e precisa indicar a variante correta.
I Aleitamento materno predominante A quando a criança recebe leite materno, diretamente do seio ou dele extraído, independentemente de estar recebendo qualquer alimento, inclusive leite não humano
II Aleitamento materno B quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite
III Aleitamento materno complementado C quando o lactente recebe, além do leite
materno, água ou bebidas à base de água, como sucos de frutas ou chás, mas não recebe outro leite
IV Aleitamento materno exclusivo D quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite
V Aleitamento materno misto ou parcial E quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, ou leite humano ordenhado, e nenhum outro líquido ou sólido, com possível exceção de medicamentos, ou seja, toda a energia e todos os nutrientes são fornecidos pelo leite humano


Relacionando as definições com os termos, a combinação correta é:

A. I - B; II - A; III - E; IV - C; V - D;
B. I - E; II - B; III - A; IV - C; V - D;
C. I - A; II - B; III - E; IV - D; V - C;
D. I - D; II - C; III - B; IV - E; V - A;
E. I - C; II - A; III - B; IV - E; V - D;

A OMS e o MS brasileiro propõe a nomenclatura abaixo, que é adotada pela SBP:

  1. Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, ou leite humano ordenhado, e nenhum outro líquido ou sólido, com possível exceção de medicamentos, ou seja, toda a energia e todos os nutrientes são fornecidos pelo leite humano. Assim, o termo IV associa-se com a variante E;
  2. Aleitamento materno predominante: quando o lactente recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água, como sucos de frutas ou chás, mas não recebe outro leite. O termo I associa-se com a variante C;
  3. Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno, diretamente do seio ou dele extraído, independentemente de estar recebendo qualquer alimento, inclusive leite não humano. O termo II associa-se com a varante A;
  4. Aleitamento materno complementado: quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou hemissólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar. O termo III associa-se bem com a definição B;
  5. Aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite. O termo V associa-se bem com a definição da alternativa D

Porque tanta devoção para esse leite materno?

Os motivos são inúmeros. Primeiro, observou-se uma composição dinâmica de nutrientes, sendo seu conteúdo modificado com:

  • o evoluir da lactação,
  • ao longo do dia,
  • dentro de uma mamada ou mesmo
  • de acordo com a idade gestacional do recém-nascido
  • a alimentação da mãe.

Todos os pontos de referência academica da pediatria brasileira e mundial não cansam de nos repetir obsessivamente que precisamos preservar o aleitamento materno. Como apoio desta teoria várias vantages são citadas:

  1. durante o periodo de amamentação:
    • substâncias antimicrobianas, componentes anti-inflamatórios e fatores promovem o desenvolvimento imune
    • o sistema imunológico imaturo do lactente aumenta
    • fortalece os mecanismos de defesa contra agentes infecciosos
  2. além do periodo de aleitamento:
    • fornece imunidade passiva
    • favoriza maturação do sistema imunológico a longo prazo

Também, parace que foram comprovados efeitos protetores contra doenças crônicas como:

O desenvolvimento cognitivo e de habilidades motoras parece, também, ser melhor.

CONCLUSÃO: A amamentação exclusiva para os primeiros seis meses de vida com aleitamento materno juntamente com a alimentação complementar a partir de então é recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

Tem mais. O leite é unico pelas substâncias bioatívas que entram na composição do mesmo.

  • imunoglobulina A secretora
  • lisozima
  • caseina
  • oligossacárides
  • fatores de crescimento neural, intestinal, epidermico
  • vitaminas A, C e E
  • nucleotides
  • acetilhidrolase
  • glutation-peroxidase
  • glutamina
  • lipides

Entre os componentes do leite materno enumerados abaixo NÃO tem papel anti-infeccioso:

  1. a caseina
  2. os lípides
  3. os nucleotides
  4. a glutation-peroxidase
  5. a lisozima

A caseina tem papel na antiadesividade bacteriana e modula a flora bacteriana. Os lípides - por mais estranho que parece - também tem papel anti-infeccioso (eita, pegadinha danada!). Os nucleotides servem para estimular uma resposta imune e também para crescimento da mucosa. A glutation peroxidase é uma enzime cujo principal papel é impedir a oxidação lipidica, e como a lisozima tem um classico papel na lise bacteriana e imunomodulação significa que a resposta correta e D.

Entre os componentes do leite materno enumerados abaixo NÃO tem papel anti-infeccioso:

  1. a caseina
  2. os lípides
  3. os nucleotides
  4. a glutation-peroxidase
  5. a lisozima

FORMULAS INFANTIS

As formulas infantis - nome sofisticado do classico "leite em pó" para lactentes - usam, como é normal, como padrão de referência o próprio leite materno.

A fórmula infantil (Fl) precisa cumprir as necessidades deste grupo etário, conforme recomendado:

  • antes do sexto mês deverá ser utilizada uma fórmula de partida
  • a partir do sexto mês, recomenda-se uma fórmula infantil de seguimento

A globalização nos trouxe o Codex Alimentarius, da Food and Agriculture Organization, da Organização Mundial da Saúde, tipo uma Magna Carta da Alimentação. Alguns não tem uma boa opinião sobre ele, achando o Codex um documento muito polêmico e especulações não faltam sobre ele... enfim, até lá, é certo que ainda não existe um codigo de conduta alimentar melhor ou pelo menos não foi ainda aceito outro. Neste Codex, que é debatido cada ano, em torno de 188 representantes de diferentes países, 240 observadores e 56 organizações governamentais internacionais incluindo representantes da ANVISA fazem mudanças e adaptações permanentes para atualizar as recomendações acerca da composição nutricional de todos os alimentos, inclusive para fórmulas lácteas, padronizando os nutrientes obrigatórios e não mandatórios, e suas quantidades. Depois, a ANVISA traz essas normas para o Brasil, aonde viram normas que reglementam a industria alimentar e as vendas de alimentos e produtos tangentes á isso.

Trabalhos científicos multicêntricos seriam a base cientifica destas reglementações internacionais tendo como objetivo atender às necessidades nutricionais dos lactentes e os aspectos de segurança.

É evidente, no entanto, que nos últimos 50 anos, as fórmulas infantis (Fl) vêm sofrendo constantes modificações para melhor se adequar às necessidades do lactente. Esse avanço tecnológico das fórmulas permitiu elaborar produtos no sentido de compensar certas deficiências digestivo-absortivas e reações alérgicas, e até mesmo contribuiu para diminuir a desnutrição e a obesidade.

Assim sendo, é claro que as fórmulas disponíveis no mercado brasileiro não conseguem obter o registro junto à Anvisa, se as mesmas não conseguirem comprovar o atendimento das resoluções do Codex.

Não é para fazer vista grossa porém, que, em alguns pontos a ANVISA brasileira pulou realmente de sublime para ridiculo, chegando a proibir que produtos que possam interferir na amamentação tenham propagandas veiculadas nos meios de comunicação. Isso já é outra historia e fica vinculado ás outras patologias.

"EU DOU LEITE DE SAQUINHO, E TÁ TUDO BOM"

A ignorância é uma verdadeira praga, não é? E quantas mães de lactente não chegam a falar isso para o pediatra, deixando o profissional constrangido e revoltado?

Realmente com alguns lactentes "não acontece nada mesmo", pelo menos não aparentemente. Geralmente se vê no plantão pais que trazem a criança somente se a temperatura sobe para 37,5ºC, mas os mesmos pais não se importam nada se a criança toma leite integral de vaca desde 7-8 meses de idade.

Eu, pessoalmente explico para as mães que o leite de vaca tem pouca glicose e muitas proteinas porque o bezerro não necessita desenvolver muito o cerebro (que necessita de mais glicose, preponderente no leite humano), mas sim precisa ser forte. Como nós os humanos somos seres racionais e precisamos desenvolver a materia cinza, precisamos de mais glicose, e é exatamente por isso que o leite materno humano tem bem mais esse elemento que o leite de vaca.

É uma especulação mesmo, mas ajuda a mãe entender o ponto.

Certo é que as pesquisas sobre a composição do leite de vaca mostra claramente quanto o mesmo é inadequado para alimentação do bebê:

  1. Gorduras: o leite de vaca contém baixos teores de ácido linoleico (10 vezes inferior), sendo necessário o acréscimo de óleo de milho para o atendimento das necessidades do RN, o que acarretará complicações em curto e/ou longo prazo;

    E daí que falta acido linoléico?

    O acido linoleico é um ácido graxo essencial na dieta humana, sendo percursor do ácido araquidónico. Consequentemente, é crucial para a produção de uma série de mediadores lipídicos, os eicosanoides, que são sintetizados através da via metabólica da cascata do ácido araquidónico.

  2. Carboidratos: a quantidade de carboidratos no leite de vaca é insuficiente, sendo necessário o acréscimo de outros açúcares quando for diluido;
  3. Proteínas: o leite de vaca fornece taxas elevadas de proteínas, e a relação caseína/proteínas do soro é inadequada, dificultando sua digestão e absorção, além de aumentar o ganho ponderal predispondo à obesidade;
  4. Minerais: o leite de vaca tem baixos teores de ferro e taxas elevadas de sódio, potássio, cloretos e fósforo, o que contribui para o desenvolvimento de anemia ferropriva e para a sobrecarga renal, principalmente dos RN de baixo peso;
  5. Vitaminas: o leite de vaca tem baixos níveis de vitaminas D, E e C;
  6. Qligoelementos: o leite de vaca tem teores insuficientes de todos, principalmente de zinco e ferro.

Vamos ver esse caso abaixo:

Mãe adolescente traz o filho de 8 meses e 2 semanas na consulta de pediatria com a queixa principal de choro e inapetência. A criança está afebril, pálida (2+/4+), já teve duas infecções urinarias tratadas com antibioticos nos ultimos dois meses. O peso está no percentil 90 e o cumprimento no percentil 75. Mãe abandonou a amamentação quando a criança tinha 5 meses, iniciou formula, mas como a mesma estava muito cara e a mãe estava desempregada passou a dar leite de saquinho oferecido gratuitamente no posto de saúde. A criança teve uma boa aceitação, não apresentou diarréia ou vomitos e sempre foi gordinho. Ultimamente a mãe passou a dar frutas e papinha salgada junto com o leite.

Em que diz respeito á esse caso, é CORRETO afirmar:

  1. o ganho excessivo de peso da criança pode ter sido causado pelo alto teor de carboidratos que o leite de vaca tem;
  2. a introdução da alimentação complementar é um erro já que o lactente está no percentil 90 de peso;
  3. o exame de sangue e o metabolismo do ferro são exames necessários, podendo indicar uma anemia ferropriva;
  4. as infecções urinarias foram favorecidas pela sobrecarga renal causada pelo sodio excessivo;
  5. a causa do choro pode ser a sensação de fome permanente, a esquema atual de alimentação sendo hipocalorica;

O ganho excessivo de peso da criança pode ter sido causado pelo alto teor de carboidratos que o leite de vaca tem? Certamente, não - o excesso de peso na criança é causado em caso de alimentação com leite de vaca, pelo excesso de PROTEINAS e não de carboidratos que são bem menos presentes que no leite humano. A introdução da alimentação complementar seria um erro no percentil 90 de peso? Tem nada a ver com o percentil. A introdução da alimentação complementar é obrigatória começando com 6 meses indiferente do percentil que a criança se encontra. Será que a criança poderia ser anemica? Muito provável! como o leite de vaca é muito mais pobre em ferro, zinco, vitamina C, há uma grande probabilidade que esta criança seja anemica. A recorrência das infecções urinarias deve-se á sobrecarga renal causada pelo sódio excessivo? Incoherente : realmente o leite de vaca integral sobrecarrega os rins, mas isto especialmente no recém-nascido - de qualquer jeito, tem nada a ver com as infecções urinarias recorrentes. E, finalmente, a esquema atual de alimentação é hipocalórica e a criança chora de fome? Agora, sim podemos olhar para o percentil, mas a esquema atual é longe de ser hipocalórica, porém o choro pode ser explicado pelas dores abdominais que a criança provavelmente sente - o perfil proteico do leite de vaca causa uma digestão predominantemente putrefativa e não fermentativa (como é no caso dos carboidratos)

Mãe adolescente traz o filho de 8 meses e 2 semanas na consulta de pediatria com a queixa principal de choro e inapetência. A criança está afebril, pálida (2+/4+), já teve duas infecções urinarias tratadas com antibioticos nos ultimos dois meses. O peso está no percentil 90 e o cumprimento no percentil 75. Mãe abandonou a amamentação quando a criança tinha 5 meses, iniciou formula, mas como a mesma estava muito cara e a mãe estava desempregada passou a dar leite de saquinho oferecido gratuitamente no posto de saúde. A criança teve uma boa aceitação, não apresentou diarréia ou vomitos e sempre foi gordinho. Ultimamente a mãe passou a dar frutas e papinha salgada junto com o leite.

Em que diz respeito á esse caso, é CORRETO afirmar:

  1. o ganho excessivo de peso da criança pode ter sido causado pelo alto teor de carboidratos que o leite de vaca tem;
  2. a introdução da alimentação complementar é um erro já que o lactente está no percentil 90 de peso;
  3. o exame de sangue e o metabolismo do ferro são exames necessários, podendo indicar uma anemia ferropriva;
  4. as infecções urinarias foram favorecidas pela sobrecarga renal causada pelo sodio excessivo;
  5. a causa do choro pode ser a sensação de fome permanente, a esquema atual de alimentação sendo hipocalorica;

 

MAS, E DEPOIS DE PASSAR DE 6 MESES, PODE DAR LEITE DE VACA?

Definitivamente, não!

Não pode, mãe, porque mesmo após os seis meses de idade o leite de vaca integral não supre as necessidades de ferro. E o ferro é fundamental. Não somente para sangue, não. Todas as mães querem que o filho ou a filha sejam inteligentes, bem desenvolvidos. Além da anemia, sobre qual todos sabem, tem mais - sua deficiência está associada ao retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e intelectual. Você não quer um filho portador de deficiência mental, não é? Quando o retardo é inevitável, houve problemas no parto ou geneticas, tudo bem, mas se uma criança pode se desenvolver normal, porque não colaborar?

Fora do fato que a imunidade celular e a capacidade fagocítica e bactericida dos neutrófilos dependem fundamentalmente da utilização do ferro.

E, sim, isto acontece mesmo com a adição de outros alimentos fortificados com ferro!

O excessivo conteúdo de cálcio e fósforo e baixa quantidade de vitamina C diminuam ainda mais a biodisponibilidade do ferro oriundo de outras fontes alimentares.

Se ainda lembrar que o consumo regular do leite de vaca integral nessa faixa etária pode também induzir hipersensibilidade às proteínas do leite de vaca, predispondo ao surgimento de doenças alérgicas e de micro-hemorragias na mucosa intestinal, o que contribui ainda mais para o aumento da deficiência de ferro, a conclusão final só pode ser uma:

NADA DE LEITE INTEGRAL DE VACA ANTES DE 1 ANO DE IDADE!

A ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR

Relembrar a definição:

É a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, em adição ao leite materno, sendo ideal que se inicie aos seis meses de vida. Neste sentido, um alimento complementar é qualquer alimento dado durante o período de aimentação complementar e que não seja leite materno.

A questÃo É - porque esse termo - 6 meses?

Tem uma explicação lógica, sim - acontece que nesta idade, o desenvolvimento neuropsicomotor e a maturidade fisiológica (digestória e renal) permite introduzir outros alimentos.

A atenuação do reflexo de protrusão da língua facilita a ingestão de alimentos semissólidos. As enzimas digestivas são produzidas em quantidades suficientes. Ou seja a criança consegue engolir semissolidos e até solidos e - importante! - pode digerir os mesmos.

PODEMOS INTRODUZIR MAIS CEDO? NÃO! Não há evidências de que exista alguma vantagem na introdução precoce (antes dos seis meses) de outros alimentos que não o leite humano na dieta da criança. Por outro lado, os relatos de que essa prática possa ser prejudicial são abundantes.

PODEMOS INTRODUZIR MAIS TARDE? TAMBÉM NÃO!   A introdução tardia está associada ao deficit de crescimento e ao risco de deficiência de micronutrientes (principalmente ferro, zinco e vitamina A), de energia e de proteínas.

OU SEJA: A alimentação complementar deve-se iniciar a partir dos seis meses, tanto para criança em aleitamento materno como em fórmula infantil.

Algumas definições podem auxiliar na orientação aos pais:

  1. Legumes são vegetais cuja parte comestível não são folhas. Por exemplo: cenoura, beterraba, abóbora, chuchu, vagem, berinjela e pimentão.
  2. Verduras são vegetais cuja parte comestível são as folhas. Por exemplo: agrião, alface, taioba, espinafre, serralha, beldroega, acelga, almeirão, couve, repolho, rúcula e escarola.
  3. Tubérculos são caules curtos e grossos, ricos em carboidratos. Por exemplo: batata, mandioca (macaxeira ou aipim), cará e inhame.
  4. Cereais são sementes ou grãos comestíveis das gramíneas, como trigo, arroz e milho, além da aveia, cevada e centeio. Nos grãos de cereais podemos encontrar nutrientes como: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas, enzimas e outras substâncias

O Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde (MS/OPAS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria estabeleceram, para crianças menores de 2 anos, dez passos para a alimentação saudável:

Passo 1. Dar exclusivamente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.
Passo 2. Ao completar seis meses, introduzir, de forma lenta e gradual, outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.
Passo 3. Ao completar seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno.
Passo 4. A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança.
Passo 5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à mesma consistência da alimentação da família.
Passo 6. Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.
Passo 7. Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.
Passo 8. Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.
Passo 9. Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos e garantir armazenamento e conservação adequados.
Passo 10. Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

COMO COMPLEMENTAR MESMO?

A primeira papa principal deve ser oferecida a partir do sexto mês, no horário de almoço ou jantar, conforme o horário que a família estiver reunida, completando-se a refeição com o leite materno até que a criança se mostre saciada apenas com a papa.

FRUTAS - DE PREFERÊNCIA RASPADAS E/OU AMASSADAS: Podem ser oferecidas em colher. Inicialmente, uma vez por dia. Depois, pode oferecer pela manhã e a tarde. Sempre, segue a mamada. Nenhuma fruta é contraindicada, exceto quando houver intolerância ou alergia. Outra exceção é a carambola (Averrhoa carambola), que em pacientes com insuficiência renal crônica pode levar a sintomas neurológicos graves.

PAPAS DE FRUTAS

PAPA DE BANANA (NECESSÁRIO 1/2 UNIDADE)

Preparo: Descasque a banana e pique em rodelas. Amasse com um garfo, até que não sobre nenhum pedaço da fruta. Coloque no prato da criança e sirva.
Rendimento: 1 porção
Energia: 32,2 kcal, Carboidrato: 8,2 g; Vitamina A: 2,8 mcg RE; Proteína: 0,36 g Lipídio: 0,17 g Vitamina C: 3,19 mg Fibra: 0,84 g

PAPA DE MAMÃO (NECESSÁRIO 1/2 UNIDADE)

Preparo: Descasque o mamão, retire as sementes e pique em cubos. Amasse com um garfo, até que não sobre nenhum pedaço da fruta. Coloque no prato da criança e sirva.
Rendimento: 1 porção
Energia: 43,48 kcal Carboidrato: 10,94 g Vitamina A: 31.22 mcg RE Proteína: 0.68 g Lipídio: 0.16 g f Vitamina D: 68,91 mg Fibra: 2,01 g

PAPA DE ABACATE

Ingredientes: • 1 colher (sopa) de abacate amassado + • 1 colher (café) de suco do limão
Preparo: Misture o abacate e o limão, coloque no prato da criança e sirva. Se necessário, acrescente uma colher [café] de açúcar.
Rendimento: 1 porção
Energia: 34 kcal Carboidrato: 2,02 g Vitamina A: 12.26 mcg RE Proteína: 0.42 g Lipídio: 3.07 g Vitamina C: 3.34 mg Fibra: 1.02 g

PAPA DE BANANA, MAMÃO E MORANGO

Ingredientes: 1/3 de uma banana média + 1 fatia fina de mamão + 3 morangos médios
Preparo: Descasque a banana e corte em rodelas. Descasque o mamão, retire as sementes e pique em cubos. Pique os morangos. Amasse as frutas com um garfo, até que não sobre nenhum pedaço. Coloque no prato da criança e sirva.

Rendimento: 1 porção

Energia: 59,52 kcal Carboidrato: 14.87 g Vitamina A: 24,98 mcg RE Proteína: 0,89 g Lipídio: 0.32 g Vitamina C: 68,36 mg Fibra: 2,63 g

PAPA DE MAÇA, MAMÃO E LARANJA

Ingredientes: 1/3 de maçã média raspada; 1 fatia fina de mamão; Suco de 1/2 laranja média
Preparo: Descasque e pique a maçã. Descasque o mamão, retire as sementes e pique-o em cubos. Amasse as frutas com um garfo, até que não sobre nenhum pedaço, e misture-as com o suco da laranja. Coloque no prato da criança e sirva.
Rendimento: 1 porção
Energia: 72,44 kcal Carboidrato: 18,02 g Vitamina A: 32,54 mcg RE Proteína: 0,85 g Lipídio: 0,32 g Vitamina C: 72,48 mg Fibra: 2,26 g

Peraí... e os sucos? Cadê os sucos que antes eram a primeira coisa que entrava na alimentação complementar?

Pois é. atualmente os sucos foram deletados da lista dos alimentos complementares. Conforme a Academia Americana de Pediatria, os sucos de frutas, mesmo os naturais, devem ser evitados no primeiro ano de vida.

Porque?

Os sucos são liquidos feitos de frutas, e necessitam de grandes quantidades das mesmas para serem preparadas. E as frutas têm uma grande quantidade não de glicose mas de fructose. A fructose, que é um enantiomer da glicose tem uma capacidade calorica considerável. Assim sendo, as mães costumam dar suco como alimento complementar mas também para a hidratação da criança. Isso leva a ingestão de quantidades maiores de calorias e predispor à obesidade.

Se, por algum motivo, forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

A fruta em si fornece fibra e uma quantidade menor de calorias, como também favorece a absorção do ferro dos alimentos. É indicado, então, dar fruta mesmo e não o suco preparado dela.

A introdução de cereais pode-se iniciar, também, a partir dos seis meses de vida. Na verdade, entre o sexto e o sétimo mês, os seguintes grupos alimentares devem ser introduzidos na papa principal:

  • cereal ou tubérculo: arroz, milho, macarrão, batata, mandioca, inhame, cará
  • alimento proteico de origem animal: carne bovina,  vísceras,  carne de aves,  carne suína,  carne de peixe,  ovos
  • leguminosas: feijão, soja, ervilha, lentilhas, grão-de-bico
  • hortaliças: verduras, legumes

Desde a primeira papa, todos os grupos alimentares devem estar presentes. O tamanho dessas porções segue a proposta da pirâmide de alimentos. No Manual de Alimentação da SBP pode-se verificar a conversão das porções em medidas caseiras.

A papa principal (refeição de misturas múltiplas) se oferece no horário habitual de almoço ou à tarde.

O conteudo deve incluir alimentos de todos os grupos: cereais ou tubérculos, leguminosas, carnes e hortaliças (verduras e legumes).

Sempre que possível, diversificar o tipo de proteína animal consumido ao longo da semana, proporcionando maior variedade de nutrientes e micronutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento nesta fase, como ferro e zinco.

Os alimentos devem ser amassados com o garfo e não utilizar liqüidificador e nem peneira, para que a criança possa testar os diferentes sabores e texturas dos novos alimentos que estão sendo oferecidos.

A partir do sexto mês de vida na verdade, não há mais restrições sobre carne e ovos. Este é INCLUSIVE o período de se introduzirem os alimentos considerados alergênicos, como ovo com clara e gema cozidos e o peixe.

Como tem que ser a carne?

O óleo vegetal deve ser usado em pequena quantidade, 3 a 3,5 ml por 100g da preparação pronta, dando preferência para os que têm melhor proporção entre ômega três e ômega seis, como azeite, soja e canola.

ATENÇÃO COM O SAL!

A oferta excessiva de sódio entre seis e doze meses de vida contribui para a elevação da carga de soluto renal e favorece o desenvolvimento de hipertensão na vida adulta.

NO PRIMEIRO ANO NÃO TENHA ADIÇÃO DE SAL (SÓDIO) AOS ALIMENTOS!

PAPAS PRINCIPAIS (SALGADAS)

PAPA DE CARÁ, QUIABO E FRANGO

2 colheres de sopa de carne de frango, sem pele, picada 1 colher de sobremesa de óleo de soja 1/2 “dente” de alho 1 colher de chá de cebola ralada 1 cará médio (150 g) 1 colher de sopa de quiabo picado 1 colher de sopa de feijão cozido (grão e caldo) 2 copos médios de água

Colocar o frango, alho e cebola em uma panela, com um pouco da água, deixe cozinhar até que fique bem macio. Acrescente os outros ingredientes, exceto o feijão. Deixe cozinhar até que os ingredientes estejam macios e quase sem água. Colocar no prato e adicionar o feijão cozido e o óleo. Amassar com o garfo e oferecer à criança.

PAPA DE AIPIM, ABOBRINHA E CARNE MOÍDA

2 colheres de sopa de carne de boi moída, 1 colher de sobremesa de óleo de soja, 1/2 dente de alho,1 colher de chá de cebola ralada, 2 pedaços médios de aipim (mandioca) (140 g), 1 abobrinha pequena, 1 folha de couve picada, 2 copos médios de água

Numa panela colocar a carne moide, alho, cebola e um pouco da água. Deixe cozinhar até que a carne fique quase cozida. Acrescente a abobrinha e o restante da água. Deixe cozinhar até que os ingredientes estejam macios e quase sem água. Acrescente a couve picada fi na, quando estiver cozida, acrescente o aipim cozido e o óleo. Amassar com o garfo e oferecer à criança.

PAPA DE JERIMUM, AIPIM E CARNE

2 colheres de sopa de carne de boi moída, 1 colher de sobremesa de óleo de soja, 1/2 “dente” de alho, 1 colher de chá de cebola, 1 fatia grande de jerimum (abóbora) (100 g), 2 pedaços pequeno de aipim (100 g), 1 colher de sopa de feijão cozido (grão e caldo), 1 colher de chá de pimentão verde picado 2 copos médios de água

Numa panela colocar a carne moide, alho, cebola e um pouco da água. Deixe cozinhar até que a carne fi que quase cozida. Acrescente o jerimum, o pimentão verde e o restante da água. Deixe cozinhar até que os ingredientes estejam macios e quase sem água. Acrescente a couve picada fi na, quando estiver cozida, acrescente o aipim e o feijão cozido e o óleo. Amassar com o garfo e oferecer à criança.

PAPA DE MANDIOQUINHA, CENOURA E FRANGO

2 colheres de sopa de frango, sem pele, picado, 1 colher de sobremesa de óleo de soja, 1/2 “dente” de alho, 1 colher de chá de cebola, 2 mandioquinhas médias, picadas, 2 colheres de sopa de cenoura, ralada, 2 colheres de sopa de acelga, picada, 2 copos médios de água

Numa panela colocar o frango, alho, cebola e um pouco da água. Deixe cozinhar até que o frango fi que quase cozido. Acrescente a mandioquinha, cenoura e o restante da água. Deixe cozinhar até que os ingredientes estejam macios e quase sem água. Acrescente a acelga picada fi na, quando estiver cozida, acrescente o óleo. Amassar com o garfo e oferecer à criança.

PAPA DE BATATA, ALMEIRÃO E PEIXE

1/2 filé médio de peixe, picado, 1 colher de sopa de óleo de soja, 1/2 “dente” de alho, 1 colher de chá de cebola, 1 batata média, picada, 3 folhas médias de almeirão, 1 colher de sopa de tomate picado, 2 copos médios de água

Numa panela colocar todos os ingredientes e a água. Deixe cozinhar até que os ingredientes estejam macios e quase sem água, acrescentar o óleo. Amassar com o garfo e oferecer à criança. Observações: prefira os peixes que não têm espinhas. Se não for possível, retire-as com cuidado.

PAPA DE FUBÁ, ESCAROLA E CARNE

2 colheres de sopa de carne de boi moída, 1 colher de sobremesa de óleo de soja, 1/2 “dente” de alho, 1 colher de chá de cebola ralada, 3 colheres de sopa de fubá, 3 folhas médias de escarola picada, 1 colher de sopa de tomate picado, 2 copos médios de água

Numa panela colocar todos os ingredientes, exceto o fubá que deve ser acrescentado misturado com um pouco de água. Deixe cozinhar, sem parar de mexer. Acrescente o óleo, amasse com o garfo e oferecer à criança.

Não se deve acrescentar açúcar ou leite às papas (na tentativa de melhorar a aceitação), pois isso pode prejudicar a adaptação da criança às modificações de sabor e consistência das refeições. A exposição frequente a um determinado alimento e a criatividade na preparação e na apresentação facilitam a sua aceitação.

NADA DE ACRESCENTAR AÇÚCAR OU LEITE ÀS PAPAS!

Em média, são necessárias de 8 a 15 exposições ao alimento para que ele seja plenamente aceito pela criança.

O ovo, além de excelente fonte proteica e de cofatores de alta eficiência nutricional, tem baixo custo e sua adoção deve ser incentivada na alimentação complementar. O ovo deve sempre ser consumido com a clara e a gema cozidas. O ovo pode ser introduzido, sempre cozido, desde a primeira papa, após o sexto mês.

Questão simples, de prova:

Alimentação complementar é definida como a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, em adição ao leite materno, sendo ideal que se inicie aos seis meses de vida. Entre as variantes abaixo há uma atitude de alimentação complementar INCORRETA:

  1. evitar o acrescimo de leite ou açucar nas papas
  2. misturar os alimentos da papa no liquidifcador, especialmente antes de 7 meses
  3. introduzir ás 6 meses ovo e peixe, mesmo que as mesmas são alimentos com potencial alergênico
  4. não acrescentar sal na alimentação complementar no primeiro ano de vida
  5. evitar o uso de leite de vaca integral até um ano de idade

VARIANTE A: Realmente, não se deve acrescentar açúcar ou leite às papas (na tentativa de melhorar a aceitação), pois isso pode prejudicar a adaptação da criança às modificações de sabor e consistência das refeições. A exposição frequente a um determinado alimento e a criatividade na preparação e na apresentação facilitam a sua aceitação. VARIANTE B: Os alimentos devem ser amassados com o garfo e não utilizar liqüidificador e nem peneira, para que a criança possa testar os diferentes sabores e texturas dos novos alimentos que estão sendo oferecidos. VARIANTE C: A partir do sexto mês de vida na verdade, não há mais restrições sobre carne e ovos. Este é INCLUSIVE o período de se introduzirem os alimentos considerados alergênicos, como ovo com clara e gema cozidos e o peixe. ATENÇÃO, SEM CONFUSÃO, POR FAVOR! É óbvio que a gente NÃO vai oferecer nem ovo e nem outra coisa se a criança tem alergia COMPROVADA. Estamos falando aqui de "potencial alergenico" ou seja alimentos que poderiam ser alergicos. VARIANTE D: ATENÇÃO COM O SAL! A oferta excessiva de sódio entre seis e doze meses de vida contribui para a elevação da carga de soluto renal e favorece o desenvolvimento de hipertensão na vida adulta. VARIANTE E: Mesmo após os seis meses de idade o leite de vaca integral não supre as necessidades de ferro. E o ferro é fundamental. Não somente para sangue, não. Todas as mães querem que o filho ou a filha sejam inteligentes, bem desenvolvidos. Além da anemia, sobre qual todos sabem, tem mais - sua deficiência está associada ao retardo no desenvolvimento neuropsicomotor e intelectual. Fora do fato que a imunidade celular e a capacidade fagocítica e bactericida dos neutrófilos dependem fundamentalmente da utilização do ferro. E, sim, isto acontece mesmo com a adição de outros alimentos fortificados com ferro! O excessivo conteúdo de cálcio e fósforo e baixa quantidade de vitamina C diminuam ainda mais a biodisponibilidade do ferro oriundo de outras fontes alimentares. Lembrar que o consumo regular do leite de vaca integral nessa faixa etária pode também induzir hipersensibilidade às proteínas do leite de vaca, predispondo ao surgimento de doenças alérgicas e de micro-hemorragias na mucosa intestinal, o que contribui ainda mais para o aumento da deficiência de ferro.

Alimentação complementar é definida como a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, em adição ao leite materno, sendo ideal que se inicie aos seis meses de vida. Entre as variantes abaixo há uma atitude de alimentação complementar INCORRETA:

  1. evitar o acrescimo de leite ou açucar nas papas
  2. misturar os alimentos da papa no liquidifcador, especialmente antes de 7 meses
  3. introduzir ás 6 meses ovo e peixe, mesmo que as mesmas são alimentos com potencial alergênico
  4. não acrescentar sal na alimentação complementar no primeiro ano de vida
  5. evitar o uso de leite de vaca integral até um ano de idade

A alimentação complementar adequada da criança amamentada ou em alimentação artificial/mista é crítica para o ótimo crescimento e desenvolvimento da criança e, portanto, torna-se um componente essencial para a segurança alimentar e nutricional populacional e para o desenvolvimento da nação.

Assinalem as seguintes afirmações com "V" para "verdadeira" e F para "falsa" e, em seguida, indiquem a sequência CORRETA:

(  ) Alimentação complementar refere-se à alimentação iniciada de preferência aos seis meses de idade, em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, além do leite materno;

(  ) O consumo precoce dos alimentos complementares facilita a aceitação dos vários sabores pela criança;

(  ) Os termos alimentos de desmame e alimentação suplementar, são recomendados como sinônimos de alimentação complementar;

(  ) As boas práticas de alimentação infantil contemplam o equilíbrio a uma tendência laxante e obstipante dos alimentos;

(  ) No aleitamento materno exclusivo, a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, excluindo leite humano ordenhado, e nenhum outro alimento líquido ou sólido, exceto medicamentos;

  1. V - V - F - V - F
  2. F - V - V - F - F
  3. F - V - V - V - F
  4. V - F - F - V - F
  5. V - F - V - F - V

Vamos ver, então - primeira afirmação. Alimentação complementar, na verdade, é definida como a alimentação no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, em adição ao leite materno, sendo ideal que se inicie aos seis meses de vida. CUIDADO COM A CONFUSÃO! Ás vezes, na prova vai ser pedida a definição do alimento complementar - neste sentido, um alimento complementar é qualquer alimento dado durante o período de aimentação complementar e que não seja leite materno. Olha bem o que está requerido! Logo, a primeira questão é VERDADEIRA.

A segunda afirmação - PODEMOS INTRODUZIR MAIS CEDO? NÃO! Não há evidências de que exista alguma vantagem na introdução precoce (antes dos seis meses) de outros alimentos que não o leite humano na dieta da criança. Por outro lado, os relatos de que essa prática possa ser prejudicial são abundantes. FALSA essa afirmação.

A terceira afirmação: Na verdade, as expressões "alimentos de desmame" e "alimentação suplementar" não são recomendadas como sinônimos de alimentação complementar, pois sua utilização é inadequada e pode dar a impressão de que os alimentos são introduzidos para substituir o leite materno, provocando o desmame em vez de complementar a amamentação. FALSA essa afirmação, também.

A quarta afirmação é VERDADEIRA. Lembremos que antes de introduzir um alimento complementar precisamos garantir que o mesmo:

A quinta afirmação seria verdadeira se não tivesse um pequeno erro - aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, ou leite humano ordenhado (eis o erro, a afirmação da questão EXCLUI o leite ordenhado, que afinal É LEITE HUMANO!), e nenhum outro líquido ou sólido, com possível exceção de medicamentos, ou seja, toda a energia e todos os nutrientes são fornecidos pelo leite humano. FALSA

Assinalem as seguintes afirmações com "V" para "verdadeira" e F para "falsa" e, em seguida, indiquem a sequência CORRETA:

(V) Alimentação complementar refere-se à alimentação iniciada de preferência aos seis meses de idade, em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos à criança, além do leite materno;

(F) O consumo precoce dos alimentos complementares facilita a aceitação dos vários sabores pela criança;

(F) Os termos alimentos de desmame e alimentação suplementar, são recomendados como sinônimos de alimentação complementar;

(V) As boas práticas de alimentação infantil contemplam o equilíbrio a uma tendência laxante e obstipante dos alimentos;

(F) No aleitamento materno exclusivo, a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama, excluindo leite humano ordenhado, e nenhum outro alimento líquido ou sólido, exceto medicamentos;

  1. V - V - F - V - F
  2. F - V - V - F - F
  3. F - V - V - V - F
  4. V - F - F - V - F
  5. V - F - V - F - V

 

ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA DOENTE

Nestes casos especiais a redução do apetite comporta o risco de deficiências nutricionais. Por exemplo, o estado nutricional pode ser comprometido por episódios frequentes de infecções porque essas podem desencadear um ciclo vicioso.

Se a criança ainda estiver em aleitamento materno deve ser estimulada a mamar sob regime de livre demanda.

Caso a criança já iniciou a alimentação complementar é importante oferecer os alimentos saudáveis preferidos em pequenas quantidades e mais vezes ao dia. A modificação da consistência é importante, por exemplo, pode ser utilizada uma devia maciez(alimentos mais pastosos) para facilitar a aceitação.

Se febre e diarreia, deve-se oferecer maior quantidade de água (filtrada e fervida) ou soro de reidratação oral.

Toda a convalescência, normalmente, é seguida por uma fase anabolica, quando necessitará da oferta frequente e adequada de nutrientes.

MISODOR, 19 DE NOVEMBRO DE 2017

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola / Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. 3. ed. Rio de Janeiro. SBP, 2012. 148p.
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria - MODULOS DE RECICLAGEM PRONAP - Alimentação complementar - Atualizações - Volume 20 Nº 1, 2017
  3. Recomendações para alimentação complementar da criança em aleitamento materno Recommendations for the complementary feeding of the breastfed child Cristina M. G. Monte, Elsa R. J. Giugliani - Jornal de Pediatria - Vol. 80, Nº5(supl), 2004
  4. NELSON. Tratado de Pediatria - Richard E. Behrman, Hal B. Jenson, Robert Kliegman. 19ª Edição. Elsevier. 2013.
  5. WHO/UNICEF. Aconselhamento em amamentação. Um curso de treinamento. Manual do treinador. Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil; 1995.
  6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Organização Pan Americana da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos / Secretaria de Políticas de Saúde, Organização Pan Americana da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002. 152 p.: Il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos; n. 107)
  7. Os Dez passos para a alimentação saudável de crianças menores de 2 anos : orientações práticas para as mães / Cristina M. G. Monte ... (et al.). - Vitória : [s.n.], 2004. 48 p. : il.