Ações terapêuticas.

Anticoagulante.

Propriedades.

A varfarina é um anticoagulante da família das cumarinas. Seu mecanismo de ação consiste na inibição da síntese de fatores de coagulação dependentes de vitamina K. Como a meia-vida desses fatores é diferente, após a administração de varfarina observa-se uma diminuição seqüencial da concentração plasmática dos mesmos na seguinte ordem: fator VII, fator IX, fator X e fator II. O fator VII é o mais rapidamente afetado e o II, o menos sensível. O grau de diminuição da atividade dos fatores plasmáticos é proporcional à dose de varfarina administrada. A varfarina não possui efeito sobre os trombos já estabelecidos nem reverte o dano isquêmico nos tecidos.É útil para prevenir o desenvolvimento de novos trombos e a extensão do coágulo como também complicações tromboembólicas secundárias que muitas vezes são fatais. É completamente absorvida por via oral e seu pico plasmático ocorre entre 1 e 9 horas após a ingestão. Noventa e sete porcento da varfarina circulam ligados à albumina. O efeito anticoagulante manifesta-se dentro das 24 horas, embora o efeito máximo possa ser retardado até as 72 a 96 horas, mantendo-se a continuação durante 4 ou 5 dias. A atividade anticoagulante segue então em uma curva de inclinação suave e de longa duração. A varfarina possui uma meia-vida de 2,5 dias, portanto seu efeito pode ser incrementado por sobreposição das doses de manutenção.Metaboliza-se no fígado pelo sistema microssômico a metabólitos inativos que são excretados na bile; são reabsorvidos e excretados pela urina.

Indicações.

Tratamento e profilaxia da trombose venosa e suas complicações (embolia pulmonar). Tratamento e profilaxia das complicações tromboembólicas associadas com a fibrilação auricular, substituição da válvula cardíaca. Como coadjuvante na embolia sistêmica posterior ao infarto de miocárdio. Tem sido utilizada como coadjuvante no tratamento do carcinoma pulmonar de células pequenas para reduzir o risco de trombose e glomerulonefrite. A varfarina é também utilizada na deficiência de proteína C, na prevenção do tromboembolismo associado com a substituição da prótese mecânica da válvula cardíaca e na aterosclerose arterial avançada.

Posologia.

Deve ser individualizada. Os efeitos podem ser acompanhados medindo-se o tempo de protrombina em uma etapa. A dose inicial recomendada é de 2 a 5mg/dia. A dose de manutenção usualmente varia entre 2 e 10mg/dia. O tratamento deve ser continuado enquanto exista risco de trombose ou embolismo.

Superdosagem.

Produz anticoagulação excessiva, com ou sem sangramento. Tratamento: suspender a administração de varfarina, administração de vitamina K 1 (oral ou parenteral). Em hemorragias severas pode-se administrar concentrado de fator IX como último recurso.

Reações adversas.

Hemorragias em qualquer tecido ou órgão: segundo o lugar onde ocorrem os sintomas observados, por exemplo paralisia, dor de cabeça, precordialgias, articulações. Sangramento: pode desmascarar lesões não-evidenciadas previamente, como as úlceras gastrintestinais. Necrose da pele e outros tecidos. Raramente alopecia, urticária, dermatite, febre, náuseas, síndrome dos dedos do pé, púrpura, dano hepático colestático, reações de hipersensibilidade. Muito raramente, priapismo.

Precauções.

Administrar com muita cautela em toda condição na qual exista predisposição à hemorragia e à necrose. Na deficiência de proteína C deve-se avaliar a relação risco/benefício, pois em ocasiões pode aparecer necrose devida à varfarina. Da mesma forma, a relação risco/benefício deve ser avaliada nas seguintes condições: lactação (aparentemente a varfarina passa para o leite de forma inativa, no entanto, não existem dados suficientes para asssegurá-lo), insuficiência renal, traumatismo (pelo risco de sangramento interno), cateter permanente, hipertensão severa a moderada, policitemia vera, vasculite, diabete severa, desordens alérgicas severas ou anafiláticas. A administração de varfarina deve ser seguida por determinações periódicas do tempo de protrombina.A segurança e a eficácia do fármaco em menores de 18 anos não foram estabelecidas. Não administrar em mulheres grávidas, pois é teratogênica se ingerida no primeiro trimestre da gravidez e fetotóxica em todas as etapas da mesma.

Interações.

Aumentam o efeito anticoagulante: paracetamol, alopurinol, ácido amino-salicílico, amiodarona, esteróides anabólicos, anestésicos, antibióticos, ácido quenodesoxicólico, clorpropamida, quimotripsina, cimetidina, clofibrato, dextrano, dextrotiroxina, diazóxido, dissulfiram, diflunisal, ácido etacrínico, fenoprofeno, fluorquinolonas, vacinas para a gripe, glucágon, fármacos hepatotóxicos, ibuprofeno, indometacina, IMAO, ácido nalidíxico, narcóticos, pentoxifilina, fenilbutazona, fenitoína, propafenona, quinidina, quinina, metilfenidato, metronidazol, salicilatos, sulfimpirazona, sulfonamida, sulindaco, tamoxifeno, tolbutamida, trimetoprima-sulfametoxazol (cotrimoxazol). Aumentam ou diminuem o efeito anticoagulante: álcool, diuréticos, moricizina, hidrato de cloral, ranitidina.

Contra-indicações.

Gravidez: hemorragias fatais para o feto, hemorragias uterinas. Pacientes com tendências hemorrágicas ou discrasias sangüíneas. Úlceras ou sangramento gastrintestinal, respiratório, geniturinário, hemorragia cérebro-vascular, aneurisma cerebral, dissecção da aorta, pericardite e efusões pericárdicas. Biópsias. Cirurgia recente ou programada do SNC, ocular, ou qualquer cirurgia traumática que requer grandes superfícies abertas.