Ações terapêuticas.

Antiarrítmico bloqueador dos canais do cálcio. Anti-hipertensivo.

Propriedades.

É inibidor da entrada de íons cálcio (bloqueador dos canais lentos). Embora o mecanismo não esteja completamente esclarecido, acredita-se que iniba a entrada do íon cálcio em zonas selecionadas sensíveis à voltagem, denominadas "canais lentos", através das membranas celulares do músculo liso cardíaco e vascular. Com redução da concentração de cálcio intracelular dilatam-se as artérias coronárias, artérias e arteríolas periféricas; reduzem-se a freqüência e a contractilidade cardíacas (efeito inotrópico negativo); deixa mais lenta a condução átrio-ventricular (A-V). As concentrações de cálcio sérico permanecem inalteradas. Seu efeito antianginoso deve-se à melhor oxigenação dos tecidos do miocárdio devido à dilatação direta das artérias e arteríolas coronárias; seu efeito anti-hipertensivo à deve-se a redução da resistência vascular periférica total, e como coadjuvante no tratamento da miocardiopatia hipertrófica ao melhorar a ejeção do ventrículo esquerdo como resultado da vasodilatação.Mais de 90% da dose oral se absorvem de forma rápida, porém a biodisponibilidade se reduz de maneira significativa em 20 a 35% devido ao grande metabolismo de primeira passagem. Sua união às proteínas é muito alta (90%). Metaboliza-se rapidamente no fígado, e um de seus metabólitos, o norverapamil, possui efeitos vasodilatadores. Sua ação inicia-se 1 a 2 horas após a ingestão por via oral e em menos de 2 minutos por via intravenosa. É eliminado por via renal como metabólitos conjugados, 50% em 24 horas e 70% em um prazo de 5 dias.

Indicações.

Profilaxia e tratamento da angina pectoris, inclusive a forma vasoespática (variante de Prinzmetal) e a angina pectoris instável. Tratamento da hipertensão arterial. Profilaxia da taquicardia supraventricular paroxística. O verapamil produz conversão rápida ao ritmo sinusal, incluindo a taquicardia associada com vias de condução acessórias, como a síndrome de Wolff-Parkinson-White em pacientes que não respondem a manobras vagais. Não produz efeitos antiarrítmicos de classe I, II ou III. Também é indicado no tratamento da miocardiopatia hipertrófica para aliviar a obstrução do trato de saída ventricular.

Posologia.

A dose oral deve ser estipulada para cada paciente segundo as necessidades e a tolerância. Dose usual para adultos: oral, iniciar com 80mg 3 a 4 vezes ao dia, aumentando a intervalos ou semanalmente. Em geral, a dose diária total oscila entre 240 e 480mg. Os pacientes de idade avançada podem ser mais sensíveis aos efeitos da dose usual de adultos. Dose máxima: até 480mg por dia em várias doses, embora tenham sido empregadas doses de até 720mg por dia no tratamento da miocardiopatia hipertrófica. Não foi estabelecida a dose para crianças. Na forma de liberação prolongada, a dose inicial é de 120 a 240mg 1 vez ao dia com a refeição, com aumento de 120mg ao dia em intervalos diários ou semanais. Dose diária total: 240 a 480mg. Injetável dose usual em adultos, via intravenosa: iniciar com 5 a 10mg ou 75 a 150mg/kg, de forma lenta, durante um período de 2 minutos. Não sendo adequada a resposta, a dose pode ser aumentada por 10mg após 30 minutos da dose inicial. Doses pediátricas usuais lactentes de até 1 ano: iniciar com 100 a 200mg/kg (a dose única usual varia de 0,75 a 2mg).Crianças de 1 a 15 anos: iniciar com 100 a 300mg (0,1 a 0,3mg) por kg sem exceder um total de 5mg.

Reações adversas.

Edema periférico, bradicardia de menos de 50 pulsações por minuto, raras vezes bloqueio A-V de segundo ou terceiro grau, palpitações, dor torácica. Podem aparecer: dificuldade respiratória, tosse ou sibilância (devido à possível insuficiência cardíaca congestiva ou edema pulmonar), como também náuseas, cefaléias, enjôos e cansaço não-habitual, constipação. Raríssimas vezes observam-se erupções cutâneas (reação alérgica), agitação ou debilidade e até desmaios (hipotensão excessiva).

Precauções.

Deve ser usado com cautela na fase aguda de enfarte do miocárdio. Os pacientes com insuficiência cardíaca ou disfunção ventricular de qualquer grau devem ser compensados antes de iniciar o tratamento com verapamil. Não foi estabelecida a segurança durante a gravidez, mas assim mesmo deve-se considerar que se excreta parcialmente no leite materno. Na insuficiência hepática ou renal, as doses devem ser ajustadas individualmente. Nos pacientes com redução da transmissão neuromuscular, deve ser aplicado com cuidado (síndrome de Duchenne). Nos idosos, pode aumentar a meia-vida como resultado de função renal reduzida.

Interações.

Os analgésicos, antiinflamatórios não-esteróides (AINE) estrogênios e drogas simpaticomiméticas podem reduzir os efeitos anti-hipertensivos do verapamil, inibindo a síntese renal de prostaglandinas ou por retenção de líquidos induzida pelos estrogênios. O uso simultâneo de betabloqueadores adrenérgicos pode prolongar a condução sinoatrial e átrio-ventricular, o que pode causar uma hipotensão grave. Junto com nifedipino pode produzir hipotensão excessiva e, em casos raros, pode aumentar a possibilidade de insuficiência cardíaca congestiva. O verapamil pode inibir o metabolismo de carbamazepina, ciclosporina, prazosina, quinidina, teofilina ou valproato, o que causa altas concentrações e toxicidade. A associação com cimetidina pode resultar em acumulação de verapamil como resultado da inibição do metabolismo de primeira passagem. Aumenta as concentrações séricas de digoxina. A disopiramida não pode ser administrada desde 48 horas antes até 24 horas após a administração de verapamil, pois ambos os fármacos possuem propriedades inotrópicas negativas.

Contra-indicações.

Insuficiência cardíaca esquerda, hipotensão (sistólica menor que 90 mmHg) ou choque cardiogênico. Doença sinoatrial (exceto se existir marca-passo). Bloqueio auriculoventricular de 2 ou 3 graus. Pacientes com palpitações violentas ou fibrilação atrial que tenham um trato átrio-ventricular acessório de condução.