Ações terapêuticas.

Antineoplásico.

Propriedades.

A cisplatina é um composto de coordenação metálico. Calcula-se que a ação é similar à dos alquilantes bifuncionais, isto é, um possível entrecruzamento e interferência com a função do DNA e pouco efeito sobre o RNA. Não é específico de nenhuma fase do ciclo de divisão celular. É possível que atue também sobre o sistema imune do hóspede. Não atravessa facilmente a barreira hematoencefálica. Metaboliza-se por uma rápida conversão não-enzimática a metabólitos inativos. É eliminado por via renal, podendo ser detectado nos tecidos durante 4 meses ou mais após a administração. Pode ser eliminado por diálise, porém, somente nas 3 horas subseqüentes à sua administração.

Indicações.

Carcinomas de bexiga, ovário, testicular, cervical e de pulmão. Osteossarcoma em crianças. Deve-se ter em conta que as indicações e pautas de posologia dos antineoplásicos estão em constante evolução.

Posologia.

Tumores testiculares: por via IV, 20mg/m 2/dia durante 5 dias (dias de 1 a 5) repetidos a cada 3 semanas, durante 3 ciclos, isto é, um total de 15 doses ao longo de 9 semanas, em associação com 30UI de bleomicina por via IV no dia 2 de cada semana e de 0,15 a 0,20mg/kg/dia de vimblastina durante 2 dias (dias 1 e 2 ) a cada 3 semanas durante 4 ciclos. Tumores ovarianos metastáticos: por via IV, 50mg/m 2 1 vez a cada 3 semanas, em associação com 50mg/m 2 de cloridrato de doxorrubicina por via IV a cada 3 semanas no dia 1. Câncer de bexiga avançado: por via IV, 50 a 70mg/m 2 a cada 3 a 4 semanas (como fármaco único).

Reações adversas.

Muitas reações são inevitáveis e representam a ação farmacológica do medicamento. Algumas delas (leucopenia e trombocitopenia) são utilizadas como indicadoras da eficácia da medicação. Freqüentemente produz toxicidade renal como insuficiência renal aguda. Os efeitos adversos são mais pronunciados com doses superiores a 50mg/m 2. Pode ocorrer hipocalcemia ou hipomagnesemia pela toxicidade renal. Observam-se: distúrbios de audição, hemorragia, hematomas não-habituais, cansaço ou debilidade não-habituais ou visão turva.

Precauções.

É importante ingerir líquidos em abundância, para ajudar a excreção de ácido úrico. Podem ocorrer náuseas e vômitos graves. Evitar o contato com pessoas com infecções bacterianas ou virais, principalmente quando os índices sangüíneos forem baixos. Em pacientes com disfunção renal, deverá ser reduzida a dose. A aparição de nefropatia por ácido úrico em pacientes com leucemia ou linfoma pode ser evitada mediante hidratação oral adequada. A terapêutica com cisplatina deve ser interrompida ao primeiro sinal de neuropatia periférica, posto que pode ser irreversível. Pode produzir supressão gonadal, dando origem a amenorréia ou azoospermia, em geral relacionadas com a dose e a duração do tratamento. Não é recomendado seu uso durante a gravidez e o período de lactação. Os efeitos ototóxicos são mais intensos em crianças.

Interações.

Em pacientes medicados com alopurinol, colchicina ou probenecida, pode ser necessário ajustar a dose, já que a cisplatina pode elevar a concentração de ácido úrico no sangue. O uso simultâneo com radioterapia e medicamentos que produzem discrasias sangüíneas pode aumentar os efeitos depressores da medula óssea. Medicamentos nefrotóxicos e ototóxicos aumentam o potencial de ototoxicidade e nefrotoxicidade da cisplatina, principalmente em pacientes com disfunção renal.

Contra-indicações.

Varicela existente ou recente, herpes zoster. A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de: depressão da medula óssea, antecedentes de gota, disfunção auditiva, infecção ou disfunção renal e em pacientes submetidos a tratamento prévio com fármacos citotóxicos e radioterapia.