A ENDOMETRIOSE

 

 

SAIR


 

 

Introdução

A endometriose é a presença de tecido semelhante aquele que reveste o interior do útero (endométrio) em outras partes do útero ou em outros órgãos da pelve. A endometriose é dolorosa, pois sofre influência das oscilações hormonais. Isso significa que os focos de endometriose sangram todo mês durante o seu período normal, mas o sangue não tem para onde ir.
Além de ser dolorosa, a endometriose também pode tornar difícil a gravidez – uma condição conhecida como infertilidade

Atualmente, a endometriose representa uma afecção ginecológica comum entre mulheres em idade reprodutiva, sendo freqüentemente associado à infertilidade e à dor pélvica. Classicamente, é conceituada como à presença de tecido endometrial e estroma e epitélio glandular endometriótico fora da cavidade uterina. Apesar de apresentar o potencial de invadir órgãos adjacentes, a endometriose é considerada uma doença benigna, passível de tratamento.          

Existe um importante aumento na incidência de casos de endometriose nos últimos anos, sendo a segunda afecção cirúrgica ginecológica e, nos Estados Unidos, a terceira causa de internação por problemas ginecológicos. Estima-se que 10% a 15% das mulheres entre 25 a 40 anos de idade sejam portadoras da endometriose, sendo que este índice pode chegar a 50% em mulheres inférteis e 70% em mulheres com dor pélvica crônica.

Com avanço da tecnologia e do conhecimento do saber científico, houve um grande avanço na melhoria dos recursos diagnósticos e no manejo da terapêutica da endometriose por meio de pesquisas experimentais laboratoriais, sendo que o tratamento apresenta resultados promissores para esta enfermidade.

Diante dessas considerações, o presente trabalho tem por objetivo de compreender o fenômeno do mecanismo patológico da endometriose, suas manifestações clínicas, meios diagnósticos e seu manejamento terapêutico.           

Etiopatogenia da Endometriose

Como sabemos, fisiologicamente, o endométrio consiste na mucosa que reveste o interior do corpo uterino, dotada de uma estrutura histológica altamente complexa e organizada. Esta mucosa é formada por epitélio constituído por células secretoras de glicoproteínas (muco) e também pela lâmina própria, cujo tecido conjuntivo é rico em células e abundante material extracelular todo percorrido por um enorme número de glândulas tubulosas e irrigado por um intricado sistema vascular. Sob a ação dos hormônios ovarianos (estrógenos e progesterona), o endométrio sofre modificações estruturais durante o ciclo menstrual, em que a sua camada funcional é totalmente expelida e reconstruída a cada ciclo.

Então, por qual razão encontramos fragmentos endometriais fora do seu sítio fisiológico?

Por meio dessa questão, têm sido relatadas diversas teorias na tentativa de explicar a etiopatogenia da endometriose, cujas teorias apontam para a multicausalidade associando fatores genéticos, anormalidades imunológicas e disfunção endometrial. O tecido endometriótico implanta-se durante a menstruação, principalmente em locais como ovários e peritônio, e desenvolve um suprimento vascular eficiente, o qual permite o seu posterior crescimento no local de implantação.

E a ocorrência deste fenômeno parece estar associada a profundas alterações do sistema imunológico da mulher, desencadeando um processo inflamatório intenso com secreção de vários fatores locais, tais como fatores de crescimento e citocina que favorecem a perpetuação dos tecidos endometriais.

As principais teorias para a patogênese da endometriose são:  

 

Classificação da Endometriose

A endometriose pode ser classificada quanto à sua localização, infiltração e conforme a American Society for Reproductive Medicine (ASRM). 

I) Classificação de Nisolle e Donnez (Miyahira & Miyahira)

Esta classificação se baseia na localização do implante do tecido endometriótico, podendo ser três formas descritas a seguir:

 

II) Classificação da Endometriose Quanto à Infiltração (Santos, 2008)

Utiliza-se o tipo de infiltração do tecido endometriótico com parâmetro de classificação, podendo ser de três tipos: 

III) Classificação da American Society for Reproductive Medicine (ASRM)

O sistema de classificação de ASRM é comumente utilizado atualmente e baseia-se no aspecto, tamanho e profundidade de implantes peritoneais e ovarianos; na presença, extensão e tipo de aderências; e no grau de obliteração do fundo de saco.

Estes parâmetros, em conjunto, refletem a extensão da doença endometriótica. Os estádios são dependentes da pontuação de acordo com indicado abaixo: 

  • Estágio I (endometriose mínima): escore 1-5, implantes isolados e sem aderências significantes. 
  • Estágio II (endometriose leve): escore 6-15, implantes superficiais com menos de 5 cm, sem aderências significantes. 
  • Estágio III (endometriose moderada): escore 16-40, múltiplos implantes aderências peritubárias e periovarianas evidentes. 
  • Estágio IV (endometriose grave): escore > 40, múltiplos implantes superficiais e profundos, incluindo endometriomas, aderências densas e firmes.

 



Manifestações Clínicas

A natureza e a severidade dos sintomas variam conforme a localização e a profundidade da infiltração do tecido endometrial, podendo ser assintomática em alguns casos. As apresentações clínicas mais comuns são: 

Além destas, podem ser encontrados sintomas relacionados a localizações atípicas do tecido endometrial, tais como, dor pleurítica, hemoptise, cefaléia ou convulsões, lesões em cicatrizes cirúrgicas com dor, edema e sangramento local.  

Diagnóstico

 O diagnóstico baseia-se na anamnese, no exame físico e nos exames por imagem e laboratoriais.

Anamnese:

A realização de uma anamnese completa por meio de uma história clínica minuciosa poderá ser crucial na determinação do diagnóstico da endometriose. Deve-se suspeitar da patologia em toda mulher com queixa de sintomas sugestivos da doença, a tríade mais freqüentemente encontrada, tais como, dismenorréia, dor pélvica ou problema de fertilidade.

Exame Físico

O exame físico pode ser aparentemente normal ou revelar nódulos endurecidos na região pélvica, espessamento dos ligamentos úteros-sacros, mobilização dolorosa e reduzida do útero e, eventualmente, presença de massa anexial. A associação destes achados são sinais patognomônicos da endometriose.   

Exames por Imagem

Laparoscopiaé o procedimento diagnóstico mais indicado para obtenção de diagnóstico de certeza. A laparoscopia possibilita a inspeção direta da cavidade e visualização dos implantes, permitindo detectar e avaliar a extensão da doença.

Os nodulos de endometriose aparecem como umas formações cor azulado ou marrom.

 

 

 

 

 

Exame Laboratorial

 A dosagem sérica de CA-125 também está sendo investigada para auxiliar no diagnóstico da endometriose.

O CA-125 é uma glicoproteína produzida no epitélio celômico durante o desenvolvimento embrionário. A elevação deste marcador em mulheres com endometriose é decorrente de sua presença em maior concentração no endométrio ectópico quando comparado ao endométrio tópico e à reação inflamatória associada ao processo, ocasionando alteração da capilaridade do endotélio facilitando a chegada deste marcador à circulação. Porém, este fenômeno não é específico da endometriose, podendo surgir também em outros tumores de linhagem epitelial em enfermidades hepáticas, etc.

Na endometriose avançada pode se elevar a níveis superiores a 100 U/ml.

DIAGNOSTICO DIFERENCIAL:
  1. fibromioma
  2. cancer de corpo uterino
  3. retroversão uterina
  4. tumores anexiais
  5. inflamaçoes anexiais
EVOLUÇÃO E COMPLICAÇOES:

Quanto tempo persiste a função ovariana, as lesoes têm a tendencia de se complicar!

  1. EM ADENOMIOSE: os nodulos podem aumentar de volume, destacando as fibras musculares, atrapalhando a possibilidade de retração e produzindo menometrorragias, as vezes tão persistentes que impoem intervenção operatoria
  2. LESOES INTRAEPITELIAIS proliferam, acabando destruir o parenquimo movel - raramente elas podem rasgar vazando e provocando hemoperitonio.
  3. GRAVIDEZ ECTOPICA
  4. RACHADURAS UTERINAS ESPONTANEAS
  5. PLACENTA ACRETA
  6. DISTOCIAS DE DINAMICA

    Tratamento

    Não existe conduta terapêutica uniforme para o tratamento da endometriose. O tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico, ou ainda a combinação destes.

    A escolha do esquema terapêutico a ser adotado dependerá da:

    1. severidade dos sintomas
    2. extensão e localização da doença
    3. desejo de gravidez
    4. idade da paciente

     

    Tratamento Medicamentoso

    Várias drogas vêm sendo pesquisadas em estudos experimentais como opção terapêutica da endometriose. As terapêuticas medicamentosas são preferencialmente de manipulação hormonal que interferem no ciclo menstrual, induzindo pseudogravidez, pseudomenopausa ou anovulação crônica.

    A adoção da terapia hormonal visa inibir a produção de gonadotrofinas, anulando a esteroidogênese, criando um ambiente inadequado para o crescimento e manutenção dos implantes da endometriose. Estes medicamentos proporcionam melhora clínica, porém seus efeitos não são curativos, o que justifica a busca de novos tratamentos.

    O esquema terapêutico preconizado pelo Ministério da Saúde está relacionado a seguir: 

    Anticoncepcionais orais – podem ser utilizados em casos de doença mínima ou leve, com mínimos ou nenhum sintoma, nas quais a doença foi detectada ou como um achado ocasional em cirurgias por outros motivos.  Este tratamento produz retardo na progressão da doença, além de ser eficaz no alívio de dor pélvica não específica, apresenta melhor resposta no controle da dismenorréia e melhora da dispareunia. Pode ser adotado caso a paciente não queira engravidar com a combinação de etinil estradiol e levonorgestrel, sendo utilizada de forma contínua por 6 a 12 meses.

    Gestrinona (DIMETROSE)– é um esteróide que induz à redução dos receptores estrogênicos e prostagênicos no endométrio, suprime o pico endógeno de LH e inibe a esteroidogênese ovariana. Utilizada na dose de 2,5mg duas vezes por semana durante seis meses, associada a anticoncepcionais orais de pequena dose. Pode causar alterações menstruais, queda de cabelo, acne, e seborréia.  

SYNAREL

- Composição
acetato de nafarelina (base) 2,0 mg (por dose:uma dose corresponde a 0,100 € 0,02 ml que contém 0,160 a 0,240 mg de nafarelina base). Cada aplicação nasal libera 200 mcg de nafarelina.

- Posologia e Administração
uso adulto (via intranasal). O tratamento deve ser iniciado nos 5 primeiros dias de ciclo. A dose habitual recomendada é de 400 mcg por 24 horas em duas tomadas, sendo uma pulverização em uma narina pela manhã e uma pulverização na outra narina à tarde. - Obs.: cada pulverização corresponde a 200 mcg de nafarelina. A dose pode ser aumentada para 800 mcg por 24 horas, em duas tomadas, sendo uma pulverização em cada narina pela manhã e uma pulverização em cada narina à noite. Esta dose é para pacientes que não obtêm amenorréia com a dose habitual de 400 mcg/24 h. - Atenção: a duração máxima do tratamento é de 6 meses devido ao risco de osteoporose. Superdosagem: em caso de absorção oral acidental, a nafarelina sofre degradação enzimática no trato gastrintestinal sendo, portanto, inativada.

- Precauções
Não deverá ser utilizado durante a gravidez. Antes de se iniciar o tratamento com nafarelina, deve-se assegurar que a paciente não está grávida e, durante o tratamento deve-se evitar a gravidez utilizando métodos contraceptivos de barreira (diafragma, dispositivo intra-uterino ou preservativos) e não anticoncepcionais orais. - Lactação: não se sabe se a nafarelina é excretada pelo leite materno, portanto, como medida de segurança, não se deve fazer uso de nafarelina durante o período de amamentação. Interações medicamentosas: a nafarelina não causa interações de ordem farmacocinética, em razão de sua degradação ser devida à ação das peptidases e não ao sistema enzimático P-450. Dado que a nafarelina somente se une a 80% das proteínas plasmáticas (albumina), as interações medicamentosas derivadas da união a proteínas plasmáticas são pouco prováveis. A administração de um vasoconstritor 30 minutos antes da nafarelina diminui a absorção da nafarelina. Interações em provas laboratoriais: a administração de nafarelina com dose terapêutica inibe o sistema hipófise-gônodas. O funcionamento normal do sistema se restaura normalmente entre 4 a 8 semanas após interromper o tratamento. Portanto, as provas do eixo hipófise-gônodas efetuadas durante o tratamento, ou neste período de 4 a 8 semanas, serão de difícil interpretação.

- Reações adversas
durante os primeiros meses de tratamento, pode-se produzir sangramento vaginal. Deste modo, o uso de nafarelina provocará redução ou interrupção dos períodos menstruais. Algumas mulheres podem experimentar asfixia, cefaléia ou mudanças da libido, labilidade emocional. Ocasionalmente, pode produzir-se ressecamento vaginal, dor muscular ou ligeira irritação da mucosa nasal, redução das mamas. Estes efeitos desaparecem ao cessar o tratamento. Pode produzir diminuição da mineralização óssea que se recupera em sua maior parte ao final do tratamento. Após um período de 6 meses a perda do mineral ósseo não é significativa. Em caso de história familiar de osteoporose, pode-se aumentar a possibilidade de perda do mineral ósseo durante o tratamento. Um número muito pequeno de pacientes tratados com nafarelina pode desenvolver dificuldade respiratória, dor no peito, rash ou prurido.

- Contra-Indicações
gravidez, lactação, sangramento vaginal de causa não determinada, hipersensibilidade a fármacos similares à nafarelina, hipersensibilidade a alguns de seus excipientes.

- Indicações
tratamento da endometriose genital e extragenital.

- Apresentação
solução nasal em embalagem com 1 frasco x 8 ml.

 

ZOLADEX

- Composição
goserelina.

- Posologia e Administração
adultos, inclusive idosos: um depot de Zoladex de 3,6 mg, injetado subcutaneamente na parede abdominal anterior a cada 28 dias. Não há necessidade de ajuste de dose para pacientes com insuficiência renal ou hepática. Crianças: não é recomendado o uso de Zoladex em crianças.

- Precauções
uso não recomendado em crianças. Homens: avaliar uso no risco de desenvolvimento de obstrução ureteral ou compressão da medula espinhal e nestes casos acompanhar cuidadosamente durante o primeiro mês de tratamento. Mulheres: não usar durante a gravidez ou a amamentação e empregar métodos anticoncepcionais não hormonais durante o tratamento. Pode ocorrer perda reversível de densidade mineral óssea.

- Reações adversas
artralgia e rashes cutâneos. Homens: aumento inicial e temporário de dor óssea. Casos isolados de obstrução ureteral e compressão da medula espinhal. A redução da testosterona sérica pode provocar ondas de calor, diminuição da potência, inchaço e amolecimento dos mamilos. Mulheres: algumas pacientes com câncer de mama podem ter um temporário aumento dos sinais e sintomas, os quais podem ser controlados sintomaticamente. Raramente pode se desenvolver hipercalcemia inicial em pacientes com metástases ósseas. Pode ocorrer menopausa irreversível, ondas de calor, sudorese, alteração da libido, cefaléia, alterações de humor, inclusive depressão, ressecamento vaginal e alteração no tamanho das mamas.

- Contra-Indicações
não deve ser utilizado durante a gravidez, pois há um risco teórico de aborto. É contra-indicado também em mulheres que estejam amamentando e em pacientes com conhecida hipersensibilidade a agonistas análogos de LHRH e LH ou a qualquer componente do produto.

- Indicações
câncer prostático passível de manipulação hormonal, câncer de mama passível de manipulação hormonal em mulheres na pré e perimenopausa, endometriose, aliviando os sintomas - inclusive a dor - e reduzindo o tamanho e o número das lesões endometriais e leiomioma uterino, reduzindo o seu volume na maioria dos casos, melhorando o estado hematológico da paciente e reduzindo os sintomas, inclusive a dor. É utilizado como adjuvante à cirurgia para facilitar as técnicas operatórias e reduzir a perda sangüínea operatória.

- Apresentação
seringa contendo depot com 3,6 mg de goserelina.

NEO DECAPEPTYL

- IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO:

TRIPTORELINA

NEO DECAPEPTYL

Frasco-ampola contendo microgrânulos liofilizados + diluente x 2 ml para formar uma suspensão injetável

USO ADULTO

NOS CASOS DE PUBERDADE PRECOCE: CRIANÇAS ABAIXO DE 8 ANOS (MENINAS) E ABAIXO DE 10 ANOS (MENINOS)

- Composição completa:

Cada frasco-ampola (microgrânulos liofilizados) contém:

Triptorelina (D-Trp-6-LHRH)     3,75 mg


- INFORMAÇÃO AO PACIENTE:

O produto, quando conservado em locais frescos e bem ventilados, sob temperatura não superior a 25°C, ao abrigo da luz, calor e umidade, apresenta uma validade de 24 meses a contar da data de sua fabricação. NUNCA USE MEDICAMENTO COM O PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. ALÉM DE NÃO OBTER O EFEITO DESEJADO, PODE PREJUDICAR A SUA SAÚDE.

Informe seu médico a ocorrência de gravidez na vigência do tratamento ou após o seu término bem como se está amamentando.

Siga a orientação do seu médico, respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento.

Não interrompa o tratamento sem o conhecimento do seu médico.

Informe seu médico o aparecimento de reações desagradáveis.

TODO MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO FORA DO ALCANCE DAS CRIANÇAS

NÃO TOME REMÉDIO SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO.
PODE SER PERIGOSO PARA SUA SAÚDE.

- INFORMAÇÃO TÉCNICA:

A triptorelina é um decapeptídeo de síntese, um agonista análogo ao LHRH natural (hormônio de liberação da LH). Estudos realizados na espécie humana como nos animais mostraram que após um estímulo inicial, a administração prolongada de triptorelina leva a uma inibição da secreção gonadotrófica, suprimindo, consequentemente, as funções testiculares e ovarianas. Outros estudos animais descreveram outro mecanismo de ação: efeito direto nas gônadas pela diminuição da sensibilidade dos receptores periféricos de LHRH.

Câncer da próstata:

· A administração de uma dose diária de TRIPTORELINA pode causar uma elevação inicial das taxas sanguíneas de LH e FSH, e consequentemente um aumento inicial das taxas de esteróides gonadais (testosterona e diidrotestosterona). A continuidade do tratamento causa uma diminuição das taxas de LH e FSH conduzindo os esteróides a uma taxa de castração, dentro de um prazo de 2 a 3 semanas, assim como quando o produto é administrado por muito tempo. Paralelamente, pode ser observada no início do tratamento uma elevação transitória das fosfatases ácidas.

O tratamento é suscetível de propiciar uma melhora de sinais funcionais e objetivos.

Aproximadamente 80% dos carcinomas de próstata são andrógeno-dependentes: pela inibição do efeito da testosterona muitas vezes é possível obter uma diminuição parcial ou retardo no desenvolvimento do tumor e, consequentemente, promover um alívio sintomático (por ex. na micção e nas dores devidas ao carcinoma). Esta inibição pode ser realizada tanto pela cirurgia (orquidectomia, adrenalectomia, remoção da hipófise), ou através de castração química (tratamento estrogênico ou anti-androgênico) ou, como tem sido descrito, pela administração contínua de TRIPTORELINA. O produto permite que o paciente não se submeta a cirurgia e provavelmente não apresente reações adversas cardiovasculares frequentemente encontradas com tratamentos estrogênicos.

Após a injeção intramuscular de TRIPTORELINA é observado um pico inicial do princípio ativo, seguido de uma liberação constante. A Cmáx é de 1359,9 ng/l, o Tmáx é de 44,9 horas, e a área sob a curva é igual a 8644,3 ng/l/h.

Puberdade precoce:

· A inibição da hiperatividade gonadotrófica- hipofisária manifesta-se nos dois sexos pela supressão da secreção do estradiol ou testosterona, pela diminuição do pico de LH e pela melhora da relação idade estatural/idade óssea.

A estimulação inicial das gônadas pode ser responsável por pequenas hemorragias genitais, necessitando-se recorrer a um tratamento com acetato de medroxiprogesterona ou de ciproterona.

Endometriose:

· A administração prolongada de TRIPTORELINA causa uma supressão da secreção do estradiol, e portanto, uma condição de repouso do tecido endometrial.

- Indicação principal:

Tratamento de câncer da próstata com metástases. Um efeito favorável do medicamento é mais claro e frequente quando o paciente não recebido anteriormente outro tratamento hormonal.

- Indicações complementares:

· Puberdade precoce (meninas até 8 anos e meninos até 10 anos).

· Endometriose de localização genital e extragenital (do estado I ao estado IV): a duração do tratamento é limitada a 6 meses (vide Reações adversas).

Neste caso não é recomendado um segundo tratamento pela TRIPTORELINA ou por outro análogo da LHRH.

- Contra-indicações:

A AUSÊNCIA DE GRAVIDEZ DEVE SER CONFIRMADA ANTES DE INICIAR O TRATAMENTO.

- Precauções:

· ENDOMETRIOSE: É IMPERATIVO VERIFICAR, ANTES DE QUALQUER PRESCRIÇÃO DE TRIPTORELINA A AUSÊNCIA DE GRAVIDEZ. A ADMINISTRAÇÃO REGULAR, A CADA 4 SEMANAS, DE UMA AMPOLA DE TRIPTORELINA, CAUSA CONSTANTEMENTE UMA AMENORRÉIA HIPOGONADOTRÓFICA. A OCORRÊNCIA DE METRORRAGIAS NO CURSO DO TRATAMENTO É ANORMAL; ISTO DEVE LEVAR A UMA VERIFICAÇÃO DA TAXA DO ESTRADIOL PLASMÁTICO, E SE FOR INFERIOR À 50 PG/ML, DEVE DETERMINAR A PESQUISA DE EVENTUAIS LESÕES ORGÂNICAS ASSOCIADAS. APÓS A SUSPENSÃO DO TRATAMENTO, A FUNÇÃO OVARIANA É RECUPERADA E A OVULAÇÃO OCORRE 58 DIAS EM MÉDIA APÓS A ÚLTIMA INJEÇÃO, E A PRIMEIRA MENSTRUAÇÃO 70 DIAS EM MÉDIA. NESTE CASO, É NECESSÁRIO INSTITUIR MEDIDAS DE CONTRACEPÇÃO.

NA AUSÊNCIA DE DADOS E POR MEDIDA DE SEGURANÇA, É CONVENIENTE EVITAR A ASSOCIAÇÃO DE MEDICAMENTOS HIPERPROLACTNEMIANTES (ESTES DIMINUEM A TAXA DE RECEPTORES DE lhrh NA HIPÓFISE).

EM CASO DE UTILIZAÇÃO PROLONGADA, É RECOMENDÁVEL MONITORIZAR A MASSA ÓSSEA (VIDE REAÇÕES ADVERSAS).

- Interações medicamentosas:

Medicamentos hiperprolactinemiantes (vide Precauções).

- Reações adversas:


· ENDOMETRIOSE:

OS EFEITOS INDESEJÁVEIS COMO ONDAS DE CALOR E SECURA VAGINAL SÃO PROVAS DA EFICÁCIA DO BLOQUEIO HIPOFISÁRIO-OVARIANO. A UTILIZAÇÃO PROLONGADA CAUSA UMA PERDA ÓSSEA, FATOR DE RISCO DE UMA EVENTUAL OSTEOPOROSE.

- Posologia e modo de usar:

Armazenar em temperaturas abaixo de 25°C e protegida de exposição direta à luz solar. Uma vez reconstituída deve ser aplicada imediatamente.

Nota: Utilizar agulha de calibre no mínimo 8, e comprimento adequado variando de acordo com a compleição do paciente.

· Endometriose:

O tratamento deve ser iniciado dentro dos 5 primeiros dias do ciclo.

Ritmo das injeções: a injeção de TRIPTORELINA 3,75 mg de liberação prolongada deve ser renovada a cada 4 semanas.

Duração do tratamento: esta é em função da gravidade inicial da endometriose e da evolução do tratamento e de suas manifestações clínicas (funcionais e anatômicas).

Em princípio, é de pelo menos 4 meses e de 6 meses no máximo. Não é recomendada a instituição de um segundo curso de tratamento pela TRIPTORELINA ou por outros análogos da LHRH.

Obs.: É importante que a injeção sob a forma de liberação prolongada seja praticada rigorosamente seguindo as instruções. Toda injeção defeituosa, levando a uma perda de uma quantidade de suspensão superior àquela que normalmente resta no dispositivo utilizado para injeção, deve ser anotada.

- Conduta na superdosagem:

Não foram relatados casos com sinais ou sintomas decorrentes de dosagem excessiva.

 

 

Tratamento Cirúrgico

 

            O tratamento cirúrgico é indicado quando os sintomas são graves, incapacitantes, em casos de endometriomas, distorção da anatomia das estruturas pélvicas, aderências, obstrução de trato intestinal ou urinário e nas pacientes com infertilidade associada à endometriose. Pode ser classificada em conservadora ou definitiva.

 

 

 

Considerações Finais

 

            Apesar de ser uma afecção ginecológica comum entre o universo feminino, principalmente na idade reprodutiva, podemos constatar por meio deste trabalho as controvérsias existentes no processo do desenvolvimento patológico da endometriose. A patogênese desta doença pode estar relacionada apenas ao único fator e sim a interação de diversos fatores predisponentes, tanto de ordem endógena inerente ao organismo da mulher, quanto à ordem exógena, ligada a fatores ambientais. Ao adotar um esquema terapêutico da endometriose deve-se analisar as particularidades de cada caso para que haja uma escolha adequada de tratamento.

           

            MISODOR, 27 06 2008