DUODENO

SAIR

RAFAELA PALERMO MARCONDES

Estudante de Medicina Universidade Federal de São Carlos

Este estudo pretende fazer uma análise embriológica, anatômica, histológica e fisiológica do Duodeno.

O Duodeno é a parte inicial do intestino delgado, que constitui um tubo que se inicia na junção gastrointestinal e termina no ânus. Recebe esse nome por ter comprimento equivalente a largura de doze dedos (25 a 30 cm)

Origem: o duodeno origina-se do intestino médio e do intestino anterior no início da quarta semana de gestação.

Desenvolvimento embriológico: o duodeno em desenvolvimento cresce rapidamente em forma de “C”, projetando-se ventralmente. Quando o estômago rotaciona, o duodeno gira para a direita e apresenta-se externamente ao peritônio.  Durante a quinta e sexta semanas, a luz do duodeno torna-se cada vez menor e obliterada pela proliferação das células. Essas células vão se vacuolizar, levando a recanalização do duodeno. No caso de defeito nessa vacuolização, ocorre a Estenose Duodenal, que é a oclusão parcial da luz do duodeno, o que leva a expulsão do conteúdo biliar do estômago.


Referências Anatômicas: estende-se do piloro à flexura duodenojejunal. Tem formato da letra C, apesar de haverem variações. A sua concavidade “abraça” a cabeça do pâncreas.

Dividido em quatro partes:


  1. Parte superior ( Bulbo ou Ampola)  - inicia-se no piloro e termina na Flexura Superior do Duodeno; é conhecida como parte livre do duodeno por ser peritonizada e móvel (movimenta-se juntamente com a parte pilórica do estômago). Esta parte relaciona-se com o pâncreas, com o ducto colédoco e com a veia porta. O bulbo é a única porção do duodeno que se encontra em posição peritoneal. Tem coloração rosa clara e não possui pregas, tendo uma mucosa finamente vilosa

                                                      
  2. Parte Descendente: toda retroperitoneal. Distingue-se do bulbo por várias pregas circulares (de Kerckring). Anteriormente a essa porção estão: fígado, vesícula biliar, colo transverso e alças intestinais. O ducto pancreático e o colédoco abrem-se nessa porção, desembocando por uma abertura comum numa projeção chamada Papila Maior do Duodeno (de Vater). Elas podem unir-se antes de desembocar nessa segunda porção do duodeno, constituindo a ampola hepatopancreática. No caso de existir um ducto pancreático acessório, ele desemboca na Papila Duodenal Menor (de Santorini), localizada 2 a 3 cm acima da Maior.

                                                     

  3. Parte Horizontal: projeta-se para a esquerda e cruza a veia cava inferior, a aorta e os músculos psoas maior direito e esquerdo.
  4. Parte Ascendente: curva-se anteriormente para continuar-se no jejuno, na flexura duodenojejunal.

Irrigação e Drenagem do Duodeno

Os vasos de todo sistema gastrintestinal fazem parte da circulação esplâncnica, de tal modo que todo sangue que flui pelo intestino é drenado para a veia porta do fígado. Depois de drenado pelos sinusóides hepáticos, o sangue cai na veia cava. Os vasos sanguíneos que nutrem o intestino removem os produtos da digestão, penetram na camada muscular e formam um plexo na submucosa, ramos da submucosa se estendem, penetrando nas vilosidades. A irrigação da primeira parte do duodeno é feita pelas artérias pancreaticoduodenais e gastroduodenais, através dos seus ramos terminais, as artérias supraduodenal e retroduodenal. A anastomose das artérias pancreaticoduodenais anteriores, superiores e inferiores formam as arcadas pancreaticoduodenais anterior e posterior, irrigando as demais porções do duodeno. As artérias atingem o duodeno pela sua concavidade. A veia pré-pilórica serve de ponto de referência para a junção gastroduodenal. A maioria das veias seguem as artérias, apesar de haverem mais variações nas veias.  Os vasos linfáticos drenam para os mesmos grupos do estômago, e para o ducto torácico; eles surgem como capilares de fundo cego dentro das vilosidades, suas paredes estão tão próximas entre si que parecem colabadas, o que os torna de difícil visualização.

 

 

 

Inervação do duodeno

O duodeno é inervado, assim como o restante do investido delgado, pelo sistema nervoso autônomo e também por fibras viscerais aferentes. O nervo vago atinge o intestino através do ramo celíaco do vago. A inervação duodenal possui uma parte intrínseca (plexo nervoso mioentérico de Auerbach e plexo submucoso de Meissner, que contém fibras sensoriais que percebem os quimiorreceptores e os mecanorreceptores, e fibras motoras, que inervam a camada muscular e as glândulas hormonais); e uma parte extrínseca (SN autônomo, com fibras colinérgicas e adrenérgicas). As contrações do intestino ocorrem com a inervação intrínseca na ausência total da extrínseca.


Histologia do Duodeno

Característica histológicas comuns do tubo digestório:

Exceto a cavidade oral, o tubo digestório possui uma organização uniforme: formado por quatro camadas concêntricas:

  1. Mucosa. Formada pelo epitélio de revestimento, pela lâmina própria e pela camada muscular da mucosa (músculo liso). A lâmina própria é um importante local de resposta imunológica, pois possui células imunocompetentes dispersas e nódulos linfoides. O epitélio invaginado forma glândulas ou ductos (transportam secreções do fígado e pâncreas para o lúmen do duodeno). No intestino delgado a extensão da mucosa e a submucosa para o lúmem formam pregas, o que aumentam a área de absorção.
  2. Submucosa. Tecido conjuntivo denso não modelado com vasos sanguíneos, vasos linfáticos, nervos e glândulas no esôfago e duodeno.
  3. Túnica Muscular. Formada pela camada circular (mais interna, sua contração diminui o lúmen) e pela camada longitudinal (mais externa, sua contração encurta o lúmem).
  4. Adventícia. Formada por várias camadas de tecido conjuntivo.

Particularidades do duodeno:

 

 

 

Possui glândulas de Brunner na submucosa, que secretam solução alcalina que neutraliza o quimo. Os vilos tem formato de folha (largos e curtos). É envolto por uma serosa incompleta e por uma extensa adventícia. Recebe a bile (pelo ducto colédoco) e as secreções do pâncreas (pelo ducto pancreático).

 

 

 

 

 

As criptas de Liberkuhn, presentes em todo o intestino delgado, são glândulas formadas por invaginações do epitélio entre vilos, no duodeno, essas criptas podem conter células de Paneth (que elaboram produtos de secreção para proteger o lúmen de patógenos).

 

 

 

 


                                   

FISIOLOGIA DUODENAL

Movimentos duodenais:

  1. Contração de mistura: Contrações concêntricas geradas por ondas elétricas lentas localizadas e espaçadas que causam segmentação do intestino, que dá a este uma aparência de “salsicha”. No duodeno essas contrações não passam de 12 por minuto.
  2. Movimentos propulsivos: ondas peristálticas, que causa a progressão do quimo para a válvula ileocecal e distribui o quimo ao longo da mucosa intestinal. Mais rápidas no duodeno que nas outras porções do intestino. Muito intensa após uma refeição, devido à entrada do quimo no duodeno causando distensão duodenal e devido ao reflexo gastroentériso, além dos sinais hormonais que provocam o peristaltismo (gastrina, insulina, CCK, motilina, serotonina).

Absorção Duodenal:

A absorção no intestino delgado diária é de:

  • 100 g ou mais de gorduras,
  • 50 a 100 g de aminoácidos,
  • 50 a 100 g de íons e
  • 7 a 8 l de água.

O intestino grosso pode absorver mais íons e água, porém menos nutrientes.

Cloreto: no duodeno (e também no jejuno) a absorção do íon cloreto é rápida e se dá por eletrodifusão na maior parte.

Bicarbonato: o duodeno recebe grande quantidade de bicarbonato da secreção pancreática e da biliar, portanto grande quantidade desse íon precisa ser reabsorvido. Essa reabsorção ocorre de maneira indireta: o bicarbonato se une ao hidrogênio formando ácido carbônico, que se dissocia em água e dióxido de carbono. A água permanece como quimo e o dióxido de carbono é absorvido no sangue e expirado pelos pulmões.

Cálcio: maior absorção ocorre no duodeno, de forma ativa.

Outros íons também são absorvidos no duodeno de forma ativa (Ex: Fe, Mg, K).

 

Referências Bibliográficas:

  1. GUYTON, Arthur HALL, John E. [et al] Fisiologia Médica, 11ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 1115p.
  2. KIERSZENBAUM, Abraham L., Histologia e Biologia Celular: Uma introdução à patologia. Tradução Adriana Paulino do Nascimento. 2ed Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. 677p.
  3. JUNQUEIRA, L.C., CARNEIRO, José. Histologia Básica. 10ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 488p.
  4. AVERBACH, Marcelo...[et al], Atlas de Endoscopia Digestiva da SOBED, Rio de Janeiro: Revinter, 2011. 702p.
  5. DANGELO, José Geraldo .FATTINI, Carlo Américo, Anatomia Humana: Sistêmica e Segmentar, 3ed. São Paulo: Atheneu 2007. 763
  6. MOORE, Keith L.; PERSAUD, T. V. N. Embriologia básica. Tradução Ithamar Vugman. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2000. 453 p., il.

 

 

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