CASO CLINICO V
E um caso claro de intoxicação aguda voluntaria, provavelmente com razão suicidaria, que nesta idade e bastante frequente. As extremidades azuladas indicam uma cianose, que, neste caso, não responde a oxigenoterapia, portanto, a primeira opção e intoxicação com uma substancia methemoglobinizante.
Após rigorosa investigação identificou-se a droga e a dose: Sulfona, 700 mg de uma só vez. Suspeitou-se imediatamente de methemoglobinemia, procurando-se tratar como tal em virtude da impossibilidade de dosagem de methemoglobina.
Depois ministrar o azul de metileno, houve melhora do quadro em uma hora e meia quando então a cianose era apenas discreta. Na manhã da terceiro dia de internação a paciente queixava-se de náuseas, apresentando vômitos e intolerância alimentar. Nas horas seguintes apresentou acentuada palidez de pele e mucosa bem como icterícia e colúria. Os exames nesta ocasião mostravam: Hb 6,7 g%, bilirrubinas totais 3,6 mg% (direta 2,4 e indireta 1,2)
Uma acentuada melhora do quadro em uma hora e meia depois a infusão de azul de metileno afastou a possibilidade de sulfhemoglobinemia, para a qual não se conhece tratamento eficaz.
Embora a cianose seja a manifestação mais exuberante e imediata na intoxicação por sulfonas, deve-se levar em conta que a anemia hemolítica e a icterícia colestática sempre estão presentes. As taxas de bilirmbinas e hemoglobina associadas à icterícia apresentada por nossa paciente reforçam esta afirmação. Por outro lado, a agranulocitose, grave complicação à administração de sulfonas, não esteve presente em nosso caso