A ANEMIA FERROPRIVA NO ADULTO

SAIR

A) CONCEITO

O ferro é um elemento que desempenha relevante papel no metabolismo humano.

Apesar da importância vital na eritropoese é por todos reconhecida ele tem participação em todos os processos intracelulares do organismo

Isso explica, então, porque o organismo é tão eficiente no uso do ferro, procurando manter o ferro total orgânico dentro de pequenas faixas de variações.

As categorias mais expostas:

  • gestantes e lactentes no primeiro ano de vida 10 a 60%
  • mulheres 10 a 30%
  • homens 3%

Os indivíduos carentes desse mineral não são tão raros, apresentando o que chamamos de anemia ferropriva.

B) EPIDEMIOLOGIA

Sobre a epidemiologia é importante saber que:

  1. deficiência de ferro é uma das condições mais comuns em todo o mundo
  2. algumas populações têm isso como caráter absoluto
  3. grupos vulneráveis (mulheres em idade reprodutiva) ainda têm uma prevalência de 10 a 15%
  4. na Europa Ocidental sua prevalência caiu de forma considerável

O problema é, entretanto, muito mais grave nos países subdesenvolvidos

Até na região sul, que tem fama de mais rica, a incidência de anemia de 40% nas crianças, 20% nas mulheres e 5% nos homens.

No nordeste, em que a renda é menor, têm-se os seguintes índices: na gestante 70%, crianças 60%, mulheres 40% e homens 20%.

C) ETIOPATOGENIA

O ferro tem função essencial no metabolismo celular.

  1. participa nas reações catalisadas por enzimas específicas de oxirredução
  2. participa na síntese das proteínas transportadoras de oxigênio
  3. forma compostos heme, como hemoglobina, mioglobina, (combinando com a protoporfirina)
  4. entra na estrutura da: peroxidase, catalase e citocromos
  5. faz parte de enzimas:
      • metalo-flavoproteínasa forma reduzida da nicotinamida adenina dinucleotídeos NADH
      • desidrogenases importantes no suprimento de oxigênio aos tecidos e no metabolismo oxidado

D) FISIOPATOLOGIA

A deficiência de ferro nos países em desenvolvimento é o segundo problema de saúde pública. Apenas a deficiência protéico-calórica (desnutrição) e mais frequente.

A carência de ferro está caracterizada em diferentes níveis:

1) Anemia hipocrômica microcítica (forma mais intensa) de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) com hemoglobina;

  • < 12g/dL para mulheres,
  • < 13g/dL para homens,
  • < 11 g/dL para crianças e gestantes

Também são encontrados;

  1. hematócrito diminuído,
  2. a hemoglobina corpuscular média (HCM)
  3. o volume corpuscular médio (VCM)
  4. baixo nível de ferro no soro
  5. porcentagem de saturação da transferrina inferior a 16%
  6. ferritina inferior a 12ng/mL
  7. aumento de protoporfirina e da capacidade total de ligação de ferro (TIBC)

2) Carência de ferro sem anemia (eritropoese deficiente) com os valores da série vermelha normais, mas com alterações que se refletem no metabolismo do ferro como: ferro sérico, porcentagem de saturação e ferritina diminuídas e aumento da TIBC.

3) Carência de ferro nos estoques: ferritina inferior ao nível normal e todos os outros exames normais.

DESSE JEITO, quando há deficiência de ferro, ela evolui em três etapas:

  1. redução de estoques
  2. redução do ferro circulante
  3. a anemia propriamente dita

A anemia ferropriva é a mais freqüente das anemias.

Tanto a anemia ferropriva como a carência de ferro são resultantes do esgotamento das reservas de ferro no organismo. Isto ocorre por:

  • fatores fisiológicos: necessidade aumentada de ferro
  • fatores nutricionais: diminuição da oferta ou absorção de ferro
  • fatores patológicos: perdas de ferro

a) Fatores Fisiológicos

São os que afetam a prevalência da anemia por atuar nas necessidades diárias de ferro.

Assim, há desequilíbrio da ingestão e absorção do ferro com as necessidades orgânicas desse íon.

Crescimento

A quantidade de ferro total no organismo aumenta de 250 a 300 mg ao nascer para 3,5 a 4g.

No homem, significa aumento de 0,6 mg por dia durante a infância e a adolescência.
Há muitos fatores afetando a quantidade de ferro no nascimento de crianças de pré-termo e de baixo peso.
A incidência da anemia até os dois anos de idade é alta, quer nos países ricos, quer nos países em desenvolvimento e depende fundamentalmente da criança ser amamentada ao seio por três a seis meses ou não.

Menstruação

Esta perda de sangue faz com que as necessidades de ferro nas mulheres aumentem em cerca de 0,5 mg por dia.

    1. com o uso do dispositivo intra-uterino (DIU), há uma necessidade extra de 0,3 mg de ferro. Nas mulheres que utilizam o DIU, o médico precisa ficar mais vigilante por causa da perda sangüínea aumentada com maior incidência da anemia.
    2. Quando a mulher usa anticoncepcional, há redução de 0,3 mg de ferro. Com o maior emprego de anticoncepcionais houve redução na prevalência de anemia em países desenvolvidos como a Suécia.

Gravidez

Durante gravidez, parto e puerpério, a mulher perde cerca de 700 mg de ferro, significando necessidades diárias de 4 mg durante a gravidez.

No Brasil, nas áreas mais pobres esta é uma causa importante da anemia, pois há mulheres que têm mais de 20 filhos.

Nos estados mais desenvolvidos, o número de gestação é pequeno e o controle da natalidade com anticoncepcionais orais tem feito com que haja redução da incidência da anemia:

  • diminuindo o número de gestações
  • reduzindo a perda de sangue durante a menstruação

O balanço de perdas de ferro e necessidades de ferro na gravidez demonstra que o organismo feminino deve dispor, em primeiro lugar, de 700 mg de ferro como necessidade adicional.

A maior parte deste (600 mg Fe) deve ser considerada como perda. De acordo com o crescimento do feto, a necessidade de ferro aumenta no decorrer da gravidez, principalmente no último trimestre.

Essa perda de 600 mg poderia ser retirada do estoque de ferro, mas é freqüente a carência de ferro em mulheres.

Por isso, quando não há possibilidade de se fazer determinação de hemoglobina no pré-natal, recomenda-se a administração de ferro pelo menos no último trimestre da gravidez.

Lactação

Pós-parto, durante a fase de amamentação há necessidade de:

  • 0,1 primeiro
  • 0,28 segundo
  • 0,27 mg de ferro terceiro mes

A carência é parcialmente compensada pela falta de menstruação.

No entanto, no Brasil, é comum o aleitamento continuar após o reaparecimento da menstruação, constituindo-se, assim, em mais uma causa da anemia.

b) Fatores Patológicos

São fatores que atuam no aumento da prevalência da anemia, por causarem perda de sangue ou dificultarem a absorção do ferro. Os mais importantes são apresentados a seguir.

A) Verminoses

Há inúmeros trabalhos demonstrando que vermes causam anemia, principalmente nos povos que vivem nos trópicos e subtrópicos, que, na realidade, são povos de países em desenvolvimento na sua grande maioria.

Cada Necator americanus expolia em 0,03 a 0,05 mL de sangue por dia/verme (0,8 mg por dia por 1.000 ovos por grama de fezes)

A. duodenale: 0,16 a 0,34 mg de sangue/dia/verme (1,2 mg por dia por 1.000 ovos por grama de fezes para o A. duodenal)

Isto significa, em termos práticos, um miligrama por dia por 1.000 ovos por grama de fezes.

Anemia causada pela Schistosoma mansoni é provocada através de:

  • processos inflamatórios intestinais,
  • fibrose hepática,
  • hipertensão portal
  • hemorragia.

Quando a pessoa é bem nutrida e não tem hematêmese e melena por hipertensão portal, praticamente não existe anemia.

Quanto ao Trichuris trichura, admite-se a perda de 0,25 mL de sangue por 1.000 ovos por grama de fezes.

Admite-se que a verminose tenha importância secundária na etiopatogenia da anemia ferropriva, fato este de enorme valor do ponto de vista socioeconómico e de saúde pública.


B) Ingestão de Aspirina

Poderia resultar em perda intestinal de 0,5 mL para mais do que 2 mL e até 5 mL nos que tomam grandes doses.

C) Doação de Sangue

A doação de 500 mL de sangue por ano implica em mais 0,5 mg de ferro/dia.

Nos países pobres, que utilizam doadores profissionais, isto pode ser causa de anemia. Estima-se que no Brasil, até 1980, quando a maioria do sangue provinha de doadores remunerados, aproximadamente 30% dos doadores eram anêmicos. Após a campanha de doação comunitária de sangue, toda a doação de sangue no Brasil é feita por familiares e amigos do necessitado, não havendo mais a figura do doador remunerado. Assim, a possibilidade de anemia por esse mecanismo reduz-se muito.

D) Gastrectomizados

A remoção da parte do estômago provoca anemia ferropriva

  1. acloridria gástrica,
  2. gastrite
  3. exclusão do duodeno do trajeto do bolo alimentar

Em decorrência de condições alimentares de dieta constituída predominantemente de cereais e leite, a anemia do gastrectomizado é relativamente comum e de certa gravidade. Assim, no Centro de Hematologia de São Paulo, do total de anêmicos graves, 10% eram de gastrectomizados.

c) Fatores Nutricionais

Constituem-se na principal causa da anemia nos países em desenvolvimento.

O ferro de origem vegetal é de baixa disponibilidade (carência qualitativa) - constitua o principal mecanismo de carência qualitativa de ferro. Geralmente, ele predomina na alimentação.

Nos países desenvolvidos, as refeições contêm 6 mg de ferro para cada 1000 Kcal, sendo 3 a 4 mg o máximo que se pode absorver por dia, que representa 20% do total ingerido.

  1. o ferro de origem animal é absorvido entre 10 e 30%
  2. o ferro de natureza vegetal é absorvido de 1 a 7%

Além da presença da carne, a vitamina C aumenta a absorção do ferro não heme.

Ja vimos que existem fatores que aumentam a absorção de ferro, como ácido clorídrico, vitamina C, açucares, carne, hemoglobina, enquanto outros a dificultam como fitatos, fibras, etc.

E importante realçar que alimentos tão prestigiados como sendo ricos em ferro, como o caso do ovo, na realidade não o são, uma vez que a fosfoproteína deste inibe a absorção do ferro. Trabalho realizado em nosso país, mostrou que 70% dos pediatras não tinham conhecimento desse fato.

Logo, a presença de anemia, maior nos países em desenvolvimento, decorre fundamentalmente do fato de que o ferro ingerido provém de vegetais e não de animais.

IMPORTANTE: anemia ferropriva está intimamente ligada ao problema socioeconómico.

E) QUADRO CLÍNICO

O paciente com anemia ferropriva pode ser assintomático ou apresentar sintomas graves como: insuficiência cardíaca na dependência do nível de hemoglobina, idade e rapidez na instalação da doença.

MANIFESTAÇÕES MAIS COMUNS:

  1. cansaço
  2. sonolência
  3. sensação de peso nos membros inferiores
  4. palpitações

SINAIS E SINTOMAS CONSECUTIVAS Á BAIXA OXIGENAÇÃO PERIFERICA

Manifestações neurologicas:

  1. tonturas
  2. cefaleia
  3. asténia
  4. apatia, ou, pelo contrário, agitação

Manifestações cutâneas

  1. palidez
  2. disturbios troficos das faneres

Mucosas:

  1. glossite
  2. queilite
  3. gastrite atrófica

Nas mulheres, as menstruações abundantes são freqüentes.

A queda de cabelos e unhas quebradiças e deformadas (unhas em colher) são queixas do paciente com anemia ferropriva.

Dificuldades de memorizar e aprender também são relatadas.

Cefaléias, irritabilidade, parestesias e perturbações digestivas também são encontradas em alguns casos de anemia ferropriva.

O exame clínico revela palidez variável, estomatite angular e atrofia das papilas. Disfagia associada à anemia, caracterizando a síndrome de Plummer-Vinson, é rara.

A ingestão de hábito extravagante, como mastigar gelo, comer arroz e macarrão crus, terra e argila, surge em alguns casos, fenômeno este denominado pica.

SINAIS E SINTOMAS REÇATIVOS AOS MECANISMOS COMPENSATÓRIOS

Cardiovasculares:

Síndrome hipercinético:

Sindrome de baixo fluxo coronário e debito cardíaco insuficiente:

A anemia pode causar dilatação cardíaca e a fluidez do sangue pode resultar em aparecimento de sopros. Em pacientes idosos pode aparecer a insuficiência cardíaca congestiva.

COMO INSTALA-SE A ANEMIA FERROPRIVA?

Geralmente pode instalar-se com sintomatologia AGUDA ou CRÕNICA

INSTALAÇÃO AGUDA

Tem caráter de gravidade podendo produzir choque

INSTALAÇÃO CRÔNICA:

Acontece progressivamente.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Investigações necessarias:

Os exames de laboratório, que são utilizados para o diagnóstico da deficiência de ferro, podem ser dividir em rotineiros e confirmatórios e sua interpretação dependerá dos valores da normalidade que variam com o método utilizado, reagentes, sexo, idade e altitude.

Exames

A extração de sangue por punção digital e venosa, como muitos exames para o diagnóstico da anemia, se realiza em crianças, principalmente de rotina.
Pode-se realizar extração de sangue por punção digital ainda que haja perda na sensibilidade do método e reprodutibilidade dos resultados.

Ao passo que a repetição do exame da hemoglobina em amostras de sangue coletado com anticoagulante pode variar até de 0,6 g por decilitro em N extração digital este valor é mais alto, em torno de 1 g por decilitro.

A hemoglobina e o hematócrito constituem as provas mais utilizadas para o diagnóstico da anemia. Contudo elas não oferecem muita fiabilidade, ja que variam de acordo com a idade das crianças, o sexo dos adultos e a relação com a altitude.

Recentemente, eles foram substituídas por:

  1. Hemoglobina Corpuscular Média (HCM) Índice hematimétrico que corresponde à média de hemoglobina por eritrócito. Pode estar elevado na presença de macrocitose e diminuído na presença de hemácias microcíticas.
  2. volume corpuscular médio (VCM) Avalia a média do tamanho (volume) das hemácias, que podem estar em seu tamanho normal, quando são ditas normocíticas,diminuídas (microcíticas) ou aumentadas (macrocíticas). O achado de microcitose é comum em anemias por deficiência de ferro, nas doenças crônicas e nas talassemias. O aparecimento de macrocitose pode estar associado à presença de um grande número de reticulócitos, ao tabagismo e à deficiência de vitamina B12 e de ácido fólico.

    A interpretação dos valores do VCM leva ao diagnóstico do tipo de anemia, classificando-as em:

    • Anemia Microcítica - VCM menor que 80 fl
    • Anemia Normocítica - VCM entre 80 e 100 fl
    • Anemia Macrocítica - VCM maior que 100 fl

      Cálculo do VCM

      VCM = Hematócrito/Nº de hemácias

      Valores de Referência

      É considerado normal valores entre: 80 a 100 fl (fentolitros)

  3. concentração hemoglobínica corpuscular média (CHCM) é a avaliação da hemoglobina encontrada em 100 mL de hemácias. Esse índice permite a avaliação do grau de saturação de hemoglobina no eritrócito. A saturação da hemoglobina normal indica a presença de hemácias ditas normocrômicas. Quando diminuída, teremos hemácias denominadas hipocrômicas e, quando aumentadas, hemácias hipercrômicas. Os valores considerados normais variam de 32 à 36 g/100 ml, mas sua interpretação depende da correlação de outros dados do exame para estabelecer um diagnóstico por um profissional de saúde.

Uma alternativa bastante interessante e economica é a prova com ferro: administração de sal ferroso em dose de 3mg/kg de peso, durante 1 a 2 meses. Se o exame de controle, 30 dias depois, observar aumento de mais de 1 g, está diagnosticada a anemia por carência de ferro principalmente em crianças e adolescentes.

Se a resposta falhar, então precisaremos realizar novos exames para confirmar a carência de ferro.

A hemoglobina mantém-se como importante parâmetro na indicação da gravidade da deficiência de ferro. Outros parâmetros mais específicos e sensíveis devem ser utilizados para a avaliação de estado de ferro no organismo.

São os exames confirmatórios:

1) Dosagem do ferro sérico: inferior ao normal nos pacientes anêmicos.

ATENÇÃO! Existem muitas interferências, assim, pela manhã os valores são mais elevados que à tarde. Os valores normais variam de acordo com o método utilizado.

Como valores de referência são características de deficiência de ferro. valores abaixo de:

  1. 30 μg/dL em crianças;
  2. 75 μg/dL em homens
  3. 65 μg/dL em mulheres

2) Capacidade total de ligação do ferro:

Medida relativa da quantidade de transferrina livre na circulação. Ou seja, tem bastante ferro para ocupar toda a transferrina?

  • COMO É MEDIDA? por espectrômetro, apresentando os mesmos problemas citados para a dosagem do ferro sérico,
  • INTERFERÊNCIAS? está menos sujeito a variações biológicas que o ferro
  • VALORES NORMAIS? entre 250 e 400 μg/dL
  • INTERPRETAÇÃO: tem aumento de valores na deficiência de ferro

3) índice de saturação da transferrina:

Somente um terço da transferrina está saturado com ferro em 20 a 50%.

Quando esse valor é inferior a 16% provavelmente há deficiência de ferro.

Podem-se observar essas exceções em pacientes que padecem de artrite reumatóide, nos quais a saturação está baixa e não há carência de ferro.

4) Ferritina sérica:

O ferro sérico (sideremia) é um parâmetro muito útil na valorização indireta dos depósitos de ferro, quando inferior a 12ng/mL, os depósitos estão a zero.

Sem dúvida uma ferritina sérica normal não necessariamente indica a presença do ferro armazenado, já que pode estar aumentado em processos infecciosos ou inflamatórios, doenças malignas e hepatopatias. Seu valor normal varia de acordo com a idade ou sexo.

A relação entre um laboratório e outro a ferritina pode ser de 5 a 10 μg/dL nas mulheres e de 20 a 400 nos homens.

5) Protoporfirina eritrocitária:

Protoporfirina é a proteina que combina-se com o ferro para formar a hemoglobina. Consecutivamente, na carência de ferro há acúmulo de protoporfirina nos eritrócitos, resultado da impossibilidade de síntese do heme.

6) Outros métodos:

No passado foram utilizados outros exames para diagnóstico de anemia ferropriva.

Por serem métodos invasivos ou muito sofisticados ou imprecisos, acabaram sendo descartados para rotina clínica e usados exclusivamente para infecção.

Medula óssea:

  • discreta hiperplasia eritróide
  • diminuição de tamanho de certo grau de basofilia em razão da dificuldade da formação de hemoglobina
  • diminuição dos sideroblastos
  • não se podem formar os grãos sideróticos, por não dispor de ferro.

Sobrevida eritrocitária:

há estudo que tem demonstrado encurtamento da vida do eritrócito por causa do catabolismo acelerado da hemoglobina em pacientes com carência de ferro.

Teste de tolerância do ferro:

E uma verificação da capacidade do organismo de assimilar ferro. O paciente recebe, por via oral, um produto com 1 mg de ferro/kg. Na deficiência de ferro a absorção aumenta, alcançando níveis elevados se for comparado com os normais, nos quais os seqüenciais se modificam um pouco. O teste foi modificado e atualmente é mais exato com a utilização de ferro radioativo ( 56Fe).

O TIPO ERITROCINÉTICO DA ANEMIA

A anemia regenerativa: reticulócitos acima de 150.000/mm3

A anemia hipo ou aregenerativa: reticulócitos abaixo de 50.000/mm3

CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA DEFINIÇÃO DE ANEMIA E DEFICIÊNCIA DE FERRO

Anemia

  1. Hb inferior a 11 g/dL para crianças e gestantes; 12,5g/dL para mulheres e 14,3g/dL para homens.
  2. Deficiência de ferro: com média de saturação menor que 15% e/ou ferritina abaixo de 12mg/mL.
  3. Resposta terapêutica com ferro e pela reação de Hb superior a 1 g/dL.

ANEMIAS MICROCITARIAS E HIPOCRÔMICAS

  1. carência de ferro
  2. inflamações
  3. beta-thalassemia

ANEMIAS NÃO MICROCITÁRIAS REGENERATIVAS

  1. pós-hemorragica aguda
  2. hemolitica
    • corpuscular (geralmente congênita)
    • extra-corpuscular (geralmente adquirida)

ANEMIAS NÃO MICROCITÁRIAS HIPO OU AREGENERATIVAS:

  1. megaloblastica (carência de B12 ou folátos)
  2. aplastica
    • primária
    • secundária
  3. destrutiva (leucémias, metástases)
  4. refratárias (mielodisplasica)

 

F) TRATAMENTO

São duas metas que devem ser atingidas:

  1. corrigir a anemia
  2. reconhecer e atuar na causa da deficiência.

REGIME DIETETICO RICO EM FERRO: carne, fígado, ovos, verduras, frutas.

Os medicamentos podem ser à base de íon ferroso ou férrico.

Calculo das dóses:

A DOSE DE FERRO (GRAMAS) NECESSÁRIA PARA A CORREÇÃO:

0,225 x (16 - Hb atual)

A DOSE DE FERRO EM MILIGRAMAS:

50 x (50 - Ht)

FORMA FERROSA

A forma ferrosa (sulfato, gliconato e fumarato) é mais utilizada e administrada por via oral. A dose é de 2 a 5mg/kg do ferro elementar.

      1. azia
      2. diarréia
      3. cólicas abdominais
      4. vômitos
      5. as fezes ficam negras

Em crianças deve-se usar a forma líquida, gotas ou xarope.

FORMA FERRICA

O uso de sais férricos apresenta menos efeitos colaterais, principalmente em crianças. A dose tem de ser maior, próxima a 5mg/kg de peso.

Com a administração do medicamento à base de ferro, o paciente apresenta melhora após 3 dias, antes de se dar aumento da hemoglobina.

Esse fato é atribuído à restauração do sistema enzimático dependente do ferro tecidual.

A administração do medicamento deve ser por 1 a 2 meses dependendo do nível de hemoglobina e da dose administrada. Se a causa não for eliminada, por exemplo, menorragia, a anemia volta após 4 meses, devendo o paciente fazer controles hematológicos até a menopausa.

A ineficiência da resposta oral ao ferro pode ser decorrente das seguintes alternativas:

  1. o paciente não tomou a dose prescrita,
  2. o diagnóstico estava errado como talassemia menor (a anemia é hipocrômica e microcítica e atinge 1 a 2% da população brasileira),
  3. a perda excede a formação de sangue,
  4. intercorrência de infecção, inflamação ou neoplasia
  5. o paciente foi incapaz de absorver o ferro.

TRATAMENTO COM FERRO PARENTERAL

Sempre tem que ser a via de exceção no tratamento da anemia ferropriva.

INDICAÇÕES:

  1. intolerância ao ferro oral por azia ou diarréia,
  2. colites ulcerosas,
  3. colostomias,
  4. gastrectomias
  5. perda sangüínea que impede a resposta ao ferro oral
  6. pacientes que não tomam os medicamentos prescritos.

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO:

  1. intramuscular (ferro polimaltosado) NORIPURUM INTRAMUSCULAR
  2. endovenosa (sacaratado). NORIPURUM ENDOVENOSO

Cada ampola tem 100 mg de ferro e aumenta 0,5 g de hemoglobina.

FÓRMULA DE CALCULO - FERRO NECESSARIO PARENTERAL:

(15- Hb) x peso x 3

Na forma endovenosa pode ser administrado lentamente na veia ou dissolvido em 50 mL de soro fisiológico (não pode ser glicosado!!!) e deixar correr em 30 min.

COMO VERIFICAR A EFICÂCIA DO TRATAMENTO:

ATENÇÃO:

HEMOSIDERINA MEDULAR COMEÇA A AUMENTAR SOMENTE DEPOIS 2-3 MESES DE TRATAMENTO, NORMALIZANDO-SE SOMENTE DEPOIS 6-12 MESES

TRATAMENTO TRANSFUSIONAL

São indicadas somente quando a hemoglobina é muito baixa (abaixo mesmo de 5 g/100 ml), ou na situação quando a anemia e dificil de ser tolerada (situações com baixo fluxo coronário, descompensação cardíaca, arritmias).

TERAPIA PREVENTIVA

GRÁVIDAS: 200 mg Glutamato ferroso + 5 mg ácido fólico 2 vezes ao dia na segunda metade da gravidez

DOADORES DE SANGUE: 1000 mg homens/2000 mg mulheres por cada 250 ml sangue doado

A terapia preventiva de anemia ferropriva é reservada a crianças prematuras e de baixo peso e que não são amamentadas por 3 a 6 meses. Utiliza-se leite enriquecido com ferro.

Durante a gravidez a mulher deve receber 60 mg de ferro a partir da metade do segundo trimestre.

G) PROGNÓSTICO

Está relacionado à causa da anemia.

Assim, quando a causa é removida a anemia não volta, por exemplo, hemorroidectomia. Se a causa é um câncer do aparelho digestivo o prognóstico está relacionado à evolução da neoplasia.
Por isso é que na maioria das anemias ferroprivas por menorragia a anemia volta várias vezes até a menopausa.

MISODOR, 05 DE JANEIRO DE 2010

 

BIBLIOGRAFIA:

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  2. TERAPEUTICA MEDICALĂ (TERAPÉUTICA MÉDICA): Ungureanu, Gabriel; Covic, Maria, Editura POLIROM - IAŞI, ROMÂNIA, 2000.
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